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Documentário sobre Ingmar Bergman e novo filme do Wes Anderson estão entre as estreias da semana

Bergman – 100 Anos, de Jane Magnusson, chega no momento das comemorações em torno do centenário do cineasta sueco; confira todas os filmes que entram em circuito nacional

O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2018 | 06h00

Da nova animação de Wes Anderson, Ilha de Cachorros, passando por pela comédia Tio Drew, até o documentário que revela até as facetas mais obscuras do cineasta Ingmar Bergman, a lista do que vem por aí é boa! Confira, abaixo, as estreias da semana nos cinemas brasileiros. 

Wes Anderson e seus bonecos maravilhosos

Ilha dos Cachorros (Ale.-EUA/2018, 102 min.)Dir. Wes Anderson. Com Bryan Cranston, Frances McDormand 

O humor excêntrico do norte-americano Wes Anderson brilha na animação com bonecos Ilha dos Cachorros e os fãs do cineasta ‘cult’ ainda terão amanhã o ‘Noitão’ do Belas Artes com quatro filmes dele, incluindo O Fantástico Sr. Raposo, que utiliza a mesma técnica. Delícia pura. (Luiz Carlos Merten)

Bergman humano, mas sem perder a sua grandeza

Bergman – 100 anos (Suécia/2018, 117 min.)Dir. de Jane Magnusson. Com Ingmar Bergman, Liv Ullmann, Lars von Trier

Bergman – 100 Anos, de Jane Magnusson, chega no momento das comemorações em torno do centenário do cineasta sueco. Autor de obras-primas como O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, Persona, Gritos e Sussurros e Fanny e Alexander, Bergman tende a ser incensado.

Não é para menos. Poucos artistas tiveram tanta e tão permanente influência quanto ele. No entanto, Bergman também era um ser humano e, como tal, cheio de arestas e defeitos. Filho de um rígido pastor protestante, criou-se com limitações e neuroses impostas por uma religiosidade autoritária e impiedosa. De certa forma, sua arte o salvou de si mesmo – e da sua pesada herança paterna. 

O filme ilumina alguns desvãos menos brilhantes do artista, como sua adesão de juventude ao nazismo, sua problemática relação com as mulheres, seu uso de uma autoridade conquistada através do seu prestígio internacional. Por sorte, Jane não esconde, mas também não chafurda nessas águas menos claras. Bergman era um gigante da nossa época, e isso nunca é esquecido. (Luiz Zanin Oricchio)

Cauã e Tatá, estilos diferentes fazem ‘Quase Dupla’

Uma Quase Dupla (Brasil/2018, 90 min.) Dir. Marcus Baldini. Com Tatá Werneck, Cauã Reymond, Louise Cardoso, Daniel Furlan 

Em conversa com a produtora Bianca Villar, Cauã Reymond disse que, embora não seja essa sua praia, gostaria de fazer uma comédia. Ela retrucou – com quem? “Ah, Tatá Werneck”, ele disse, pensando na mais improvável das opções. Bianca levou a coisa a sério, contactou Tatá, uma história foi escrita e o diretor Marcus Baldini entrou em cena.

Uma Quase Dupla não é um lançamento pequeno, mas também não é blockbuster. Baldini, que acertou com Bruna Surfistinha, tenta agora uma mistura que grandes diretores como Hitchcock e Stanley Donen souberam dosar – suspense + humor. No caso dele, para complicar ainda mais, os dois atores – os protagonistas – têm estilos diferenciados.

Tatá é acelerada, Cauã é contido. Pois não é que deu certo? Ela é uma policial da cidade grande que ajuda na investigação de uma série de crimes. Urina de pé, porque tem pressa. Ele é subdelegado numa cidade do interior, meio devagar. Tudo os separa, mas... Ah, sim, como em todo suspense, faz parte da diversão descobrir quem está matando, e por quê?

‘Tio Drew’ traz astros do basquete alterados

Tio Drew / Uncle Drew (EUA/2018, 103 min.) Dir. de  Charles Stone III. Com Kyrie Irving, Shaquille O'Neal, Lil Rel Howery Philippe Garrel

Há 55 anos, John Huston fez um filme detestado pela maioria da crítica em nome do realismo, mas do qual ele guardava boa lembrança, porque a rodagem foi muito divertida. A Lista de Adrian Messenger era um policial sobre uma série de mortes misteriosas. Só no final, os atores eram identificados, porque a maquiagem os tornava irreconhecíveis. O diretor Charles Stone III pode nem saber da existência do filme de John Huston, mas adota o mesmo princípio em Tio Drew.

O filme que estreia nesta quinta, 19, é sobre um amante do basquete de rua que tenta formar um time para concorrer numa disputa prestigiada do bairro do Harlem, em Nova York. Nada dá certo para ele, que perde a mulher, a casa, até encontrar o tal tio Drew. O velhinho é danado de bom com uma bola e é com ele que Dax, o protagonista forma sua equipe. Um bando de aposentados que têm sua segunda chance voltando à quadra.

A gente vive hoje num mundo de imagem em que tudo é divulgado com antecedência. Para evitar o spoiler, evite fazer qualquer pesquisa. Ases do basquete – Shaquille O’Neal, Kyrie Irving, Nate Robinson, Chris Webber – aparecem tão maquiados que ficam irreconhecíveis como os astros (Kirk Douglas, Burt Lancaster, etc.) de Huston.

A graça de Tio Drew é esperar pelos créditos finais, que não trazem exatamente as cenas deletadas nem os erros de filmagem, mas mostram o processo de maquiagem e os grandes jogadores de cara limpa. Se você achar que isso é pouca atração, a história, embora tradicional como fábula de superação, não deixa de oferecer certo encanto. Dax, traumatizado por uma jogada infeliz no passado, vai se reinventar, e isso na quadra, enfrentando o atual namorado de sua ex. A essa altura ele já encontrou novo amor e os idosos deram sua (hilária) lição de vida. Construído sobre clichês, Tio Drew possui um encanto, e um humor, muito especiais. (L.C.M)

Artista libertário em retrato convencional 

Egon Schiele – Morte e a Donzela (Áus.Lux./2016, 109 min.)Dir. de Dieter Berner. Com Noah Saavedra

Em Egon Schiele – Morte e a Donzela, o atrevido pintor vienense do começo do século 20 ganha uma cinebiografia um tanto convencional, dirigida por Dieter Berner. Schiele (Noah Saavedra) é um pintor de talento que, no início de carreira, recebe um empurrão providencial do já consagrado Klimt. Este compra seus esboços e ainda lhe empresta a amante e modelo, a estonteante Wally (Valerie Pachner). 

Vive-se na Viena dos anos de ouro, na qual convivia a nata dos artistas e intelectuais europeus, de Freud a Schnitzler, de Schoenberg a Hofmannsthal. Mas o encanto da belle époque será quebrado pelo começo da 1.ª Guerra Mundial. Nesse ambiente, Schiele gosta de pintar mulheres e garotinhas, o que lhe trará problemas com a polícia. 

O filme é um longo flashback em que Schiele, em seu leito de morte, recorda sua (breve) vida atribulada. Morreu de gripe espanhola, aos 28 anos, junto com a esposa Elizabeth. O filme toma o nome de sua obra famosa, A Morte e a Donzela, cujo modelo foi sua amada Wally. Falta a ele a ousadia que sobrava ao personagem retratado. (L.Z.O.)

Em ‘O Orgulho’, o duelo entre alunos e professores 

O Orgulho / Le Brio (França/2017, 95 min.)Dir. de Yvan Attal. Com Daniel Auteuil, Camélia Jordana

Em O Orgulho, de Yvan Attal, tem-se de novo esse tema tão rico, o do relacionamento entre professor e aluno como reflexo (ou sintoma) do que se passa na sociedade de maneira mais ampla. 

No caso, uma aluna vinda da periferia, Neyla Salah (Camélia Jordana), enfrenta um professor tão brilhante como preconceituoso, Pierre Mazard (Daniel Auteuil). Ele já começa por ironizar o nome da moça e avança o sinal em outros temas delicados. Mas os tempos são outros e, para purgar seus pecados, Mazard deverá preparar a aluna em aulas particulares para um concurso de retórica. 

Usando de Schopenhauer a Shakespeare, Mazard fornecerá à aluna um poderoso arsenal argumentativo para se impor em debates. Ao mesmo tempo, algo muda entre eles, mas Neyla não parece perceber tudo o que está em jogo. Será preciso um namorado, motorista de Uber, para lhe dar a dimensão mais justa de sua relação com o mestre. 

Às vezes um tanto artificial, o filme salva-se em momentos de virtuosismo (em especial com Auteuil), em que o exercício da inteligência conjuga-se ao brilho mais simples da emoção. (L.Z.O.)

 

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