Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Regina Duarte quer tomar posse no início de março com 'equipe montada'

A previsão é que a cerimônia de posse da nova secretária especial da Cultura seja realizada no Palácio do Planalto para 600 convidados

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

26 de fevereiro de 2020 | 10h17

BRASÍLIA - Quase um mês após dizer "sim" ao convite feito pelo presidente Jair Bolsonaro para se "casar" com o governo, a atriz Regina Duarte finalmente deve tomar posse na Secretaria Especial da Cultura. A previsão é de que uma cerimônia para até 600 pessoas ocorra na semana que vem no Palácio do Planalto. Enquanto isso, ela tem ficado em Brasília e usado o tempo para se preparar para o cargo e escolher sua equipe, que deverá ser "técnica", segundo interlocutores da atriz.

Regina tem afirmado querer usar sua presença na pasta para “pacificar” a relação com a classe artística e recebeu do presidente autonomia para escolher com quem trabalhar. “A equipe é sua e você faz o que quiser”, disse o presidente à futura secretária, em uma das quatro reuniões que tiveram pessoalmente, neste período de “preparação do casamento”.

A intenção da nova secretária é chegar com toda a sua equipe escolhida. Segundo pessoas que estão a auxiliando neste período, embora não revele nomes, Regina já definiu que indicará aos cargos na pasta pessoas com trânsito no meio artístico e com proximidade a ela. A atriz realizou inúmeras reuniões durante todo o mês de fevereiro, a maior parte delas em Brasília, mas também em São Paulo e no Rio de Janeiro. Entre os encontros, fez questão de conhecer os quadros técnicos da secretaria e já anunciou que pretende aproveitá-los, como forma de valorizá-los.

Por enquanto, porém, Regina dispõe de 14 cargos de confiança com salários mais altos - os chamados Direção e Assessoramento Superior (DAS) - disponíveis para nomeação. Os vencimentos variam de R$ 13,6 mil a  R$ 16,4 mil.

Mesmo antes de assumir, porém, Regina já viveu alguns percalços do cargo. No início do mês, a secretária adjunta da Cultura, Jane Silva, conhecida como reverenda Jane, foi exonerada do cargo. Ela estava no comando interino da pasta até a posse da atriz, mas algumas atitudes desagradaram.

Após se aproximar da atriz em uma viagem no ano passado a Israel, Jane conseguiu a indicação para o segundo cargo mais importante da Secretaria da Cultura. Uma vez no cargo, porém, começou a agir por conta própria, sem consulta prévia, e tomou atitudes que foram consideradas uma tentativa de "tutelar" a futura secretária.

O outro obstáculo é físico, mas que também tem seu braço político. O gabinete de Regina na Secretaria da Cultura fica fisicamente instalado no quarto andar do Ministério do Meia Ambiente. Mas algumas das diretorias da sua pasta estão distribuídas entre o prédio ao lado, onde está o Ministério da Cidadania, e em outro edifício, do outro lado da rua na Esplanada, no Ministério do Turismo, a quem está “hierarquicamente” subordinada.

Demora para posse é justificada por questões comerciais

A demora de mais de um mês para sua posse ser oficializada é justificada, segundo pessoas próximas à atriz, pelas burocracias necessárias para que Regina se desvencilhe de compromissos comerciais assumidos anteriormente. Entre eles, o contrato com a TV Globo, onde atua há 51 anos. Ela tem dito que quer assumir a pasta totalmente desimpedida e pretende exigir o mesmo de todos que venham a integrar a sua equipe.  O salário na emissora, de acordo com interlocutores, gira em torno de R$ 160 mil. Na Secretaria da Cultura ela receberá vencimentos mensais de R$ 17,4 mil.

Durante sua permanência na capital, Regina que acorda às 5h e, desde cedo, apresenta demandas a seus principais auxiliares, costuma fazer exercícios físicos antes de sentar na cadeira de trabalho. Corre na esteira, faz hidroginástica e às vezes, natação.

Quando está na Esplanada, tem ido almoçar no bandejão da Secretaria de Cultura, onde costuma ser tietada por servidores do governo que frequentam o local.

De acordo com auxiliares, Regina tem sido cuidadosa e não costuma assinar nada sem ler. Estuda detalhadamente cada demanda que lhe é passada e prefere receber todos os documentos que precisa conhecer e analisar em papel. Ela se considera uma aluna aplicada e por isso não se desgruda de caderninhos de anotação do tipo molesquine na bolsa, ao lado da caneta e do celular. Em menos de um mês desde que aceitou o cargo, já está quase no fim de um com capa preta, mas já tem um segundo, de capa branca.

Até para o casamento da amiga e deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), levou o caderninho, já que lá estaria boa parte da República presente e ela poderia receber informações que precisaria anotar para não se esquecer. Entrevistas, já avisou, só depois da posse.

 

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