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Após demissão de 'número 2' da Cultura, Bolsonaro dá carta branca para Regina Duarte trazer aliados

Presidente recebeu um diagnóstico preliminar da atriz sobre os trabalhos que a secretaria vem elaborando

Tânia Monteiro, Mateus Vargas, Julia Lindner, Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2020 | 19h59

BRASÍLIA - Após demissão de Jane Silva, conhecida como pastora Jane, do posto de “número 2” da Secretaria de Cultura, a atriz Regina Duarte foi recebida pelo presidente Jair Bolsonaro e recebeu aval para trazer pessoas de sua confiança ao governo federal.  

Bolsonaro recebeu na tarde desta sexta-feira, 7, um diagnóstico preliminar da atriz sobre os trabalhos que a secretaria vem elaborando. Regina disse ao presidente que está conversando com todos os setores da pasta e se “inteirando” de tudo, segundo um interlocutor do Palácio do Planalto. Ao afirmar que precisa de pessoas de confiança ao seu lado, Regina ouviu um “faça o que quiser” como resposta do presidente.

A posse de Regina na secretaria de Cultura está prevista para o próximo dia 19, mas a data ainda pode ser mudada, pois a atriz ainda resolve questões pessoais para poder assumir o cargo. O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), pretende nomear outro interino para assumir o comando da Cultura até o “casamento” de Regina com o governo Bolsonaro.

Segundo fontes que acompanham a transição na Cultura, a atriz pode nomear como “número 2” o ator e produtor teatral Humberto Braga. Ele também é cotado para assumir o comando da Fundação Nacional das Artes (Funarte), órgão que presidiu no governo de Michel Temer (MDB). O nome de Braga, porém, já foi associado à “esquerda” por apoiadores de Bolsonaro e enfrenta resistência no Palácio do Planalto.

Após a dispensa de Roberto Alvim, no mês passado, a reverenda Jane Silva ocupou interinamente a Cultura e já estava acertado que seria adjunta de Regina, ou seja, a número 2 da área, acumulando o cargo com a Secretaria de Diversidade Cultural. 

O Estado apurou que, embora a nota sobre a exoneração de Jane tenha sido assinada pelo ministro do Turismo, foi Regina quem pediu a sua saída. Nos bastidores, havia comentários de que Jane queria mandar demais e até mesmo passar por cima de Regina e do ministro ao tomar decisões na pasta. Além disso, Álvaro Antônio também se desentendeu com a pastora e não gostava dela, dizem fontes da Secretaria de Cultura.

Jane chegou a pedir a nomeação do jornalismo Sérgio Camargo para cargo de assessor de sua secretaria. Trata-se de nome escolhido por Alvim para presidir a Fundação Palmares, mas que teve confirmação no cargo barrada pela Justiça por afirmar, por exemplo, que o Brasil tem um “racismo nutella”.


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Segundo servidores da Cultura, Jane era “intolerante” e acumulou brigas com colegas da pasta. Alguns teriam pedido para deixar a secretaria comandada pela reverenda. A ex-número 2 de Regina ainda foi alvo de críticas no começo de janeiro ao afirmar nas redes sociais que lançaria um edital “resgatando o romantismo entre homens e mulheres”. “Estou em conversa com cantores e artistas. Assim vamos resgatar os valores da família e do casamento. Deixe sua opinião!”, escreveu Jane. O edital jamais foi elaborado.

“Por decisão do Ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, a Secretária de Diversidade Cultural da Secretaria Especial de Cultura, Janicia Silva, será exonerada nesta data. Ainda não há nenhuma definição sobre quem irá ocupar o cargo”, diz a nota divulgada nesta sexta. No governo de Jair Bolsonaro, a Cultura está subordinada ao guarda-chuva do Turismo. 

A exoneração de Janicia Silva foi publicada em uma edição extra do Diário Oficial na noite desta sexta-feira.

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