DOULIERY / AFP
DOULIERY / AFP

Netflix prepara avalanche de séries e filmes

Fluxo de conteúdo pode acabar se confinamento provocado pela pandemia do covid-19 se estender por mais tempo

O Estado de S.Paulo, AFP

24 de abril de 2020 | 17h23

A Netflix, gigante do streaming, anunciou nesta semana que terminou de gravar a maioria de seus filmes e séries pendentes para este ano, minimizando as preocupações de que sucessos como Tiger King possam acabar, ou que lançamentos como a próxima Unorthodox possam atrasar.

“A maior parte de nossa lista de séries e filmes para 2020 está gravada e está em pós-produção a distância em lugares de todo mundo”, afirmou o chefe de conteúdo, Ted Sarandos. “Na verdade, estamos muito concentrados no nosso catálogo de 2021, por isso, não estamos antecipando nenhum movimento.”

Mas mesmo o fluxo de conteúdo da Netflix pode acabar se este confinamento sem precedentes, que ninguém poderia prever, se estender por mais tempo. Ter uma programação nova e original é fundamental no atrativo da Netflix, diferentemente de outras plataformas como Disney+, que conta com o invejável catálogo de 80 anos do estúdio de Mickey Mouse. Nesse sentido, e em meio à guerra do streaming, a Netflix perdeu clássicos como Friends e The Office, que agora estarão disponíveis nos rivais HBO Max e Peacock (NBCUniversal), respectivamente.

Isso também afeta o atraso nos lançamentos de filmes no verão do Hemisfério Norte, o que significa que estarão disponíveis mais tarde nas plataformas. A Netflix também tem a seu favor sua capacidade de encontrar novas formas de continuar produzindo conteúdo. Graças à sua rápida expansão global, a plataforma está agora aumentando a produção em países que estão levantando as restrições, como Islândia e Coreia do Sul, enquanto Hollywood permanece fechada.

“A marca Netflix é global. Poderiam facilmente comprar sua própria ilha e, sinceramente, filmar lá”, afirmou à AFP o analista Jeff Bock, da empresa Exhibitor Relations. Também teve sucesso com reality shows como Casamento às Cegas e Brincando com Fogo, que exigem uma infraestrutura de menor produção e com tempos de filmagem mais rápidos.

“Muitas distribuidoras de conteúdo estão estudando (usar documentários) no curto prazo, para preencher algumas dessas lacunas” na programação, destacou o diretor de pesquisa da consultoria especializada Parks Associates, Steve Nason. “A Netflix já fez isso”, apontou. “Se a interrupção da produção se prolongar entre nove e 12 meses, todo mundo sairá prejudicado”, acrescentou. “Mas, se comparada com alguns de seus concorrentes, a Netflix estará em melhor forma”, completou Nason. / AFP

Tudo o que sabemos sobre:
NetflixTed SarandosMickey Mouse

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.