Pedro Saad/Netflix
Pedro Saad/Netflix

'Buscamos boas histórias', diz vice-presidente de conteúdo original da Netflix

Executivo Erik Barmack celebra desempenho da série brasileira ‘3%’, indicada para prêmio ibero-americano

Pedro Antunes , O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2017 | 06h00

O seriado brasileiro 3%, a primeira produção brasileira original da Netflix, recebeu alguns narizes tortos por parte da crítica e do público nacional, mas vem traçando um caminho invejável no exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela se tornou a série de língua não inglesa mais assistida. Nesta semana, a criação dos colegas de faculdade Pedro Aguilera, Daina Gianecchini e Jotagá Crema concorreu ao posto de melhor série dramática no Prêmio Fênix, que celebra a produção cinematográfica e televisiva da América Latina, Espanha e Portugal. A série não levou – embora a Netflix possa se considerar vencedora ao ter Narcos, também produção sua, mas criada na Colômbia, como vencedora na categoria. 

“Todas as produções indicadas (3%, Narcos, a mexicana Club de Cuervos, vencedora na categoria de melhor elenco de comédia) foram criadas com um viés artístico”, defende Erik Barmack, vice-presidente de conteúdo original da Netflix – ou seja, é por ele que passam as produções criadas pelo próprio serviço de streaming. “São produtos pensados como histórias locais, mas que tinham potencial de se espalhar pelo mundo.” 

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Para ele, o tema da série brasileira foi determinante para levá-lo a ultrapassar as fronteiras brasileiras. Em 3%, vive-se em um futuro distópico no qual jovens de 20 anos precisam se submeter a testes, provas físicas e intelectuais, para filtrar alguns poucos (os escolhidos) e levá-los ao paraíso, enquanto o resto volta à miséria. Questões como distopia, pessimismo e meritocracia têm funcionado bem no exterior – basta notar o sucesso da série de filmes e livros Jogos Vorazes e todos os herdeiros surgidos na sequência. “Cada produção local tem um objetivo diferente”, explica Barmack. “Mas, notamos que 3% poderia ter um alcance fora.” 

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A Netflix percebeu logo que a tendência dos serviços de streaming logo chegariam às emissoras de TV tradicionais. Logo, as séries “compradas”, como How I Met Your Mother, não teriam sua cessão de direitos continuada – como, de fato, aconteceu. Hoje, todos os grandes canais oferecem a opção de se assistir aos programas, séries e filmes online. A briga pela audiência, seja qual ela na plataforma que for, está na força das produções originais. Há poucas semanas, por exemplo, a HBO anunciou a chegada no Brasil do HBO Go com um serviço de assinatura própria que não depende mais da TV a cabo. “Ninguém disse que uma pessoa não possa ser assinante de Netflix e HBO Go”, brinca Barmack. 

Ele segue: “Acho que nossa principal função é ser ótimo naquilo que fazemos. E aproveitarmos que, atualmente, o consumidor tenha escolha. É ótimo que existam opções. Para mim, o nosso serviço deve ser o mais atrativo possível.”

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E, para isso, a Netflix investe pesado em autores. Na Comic Con Experience, encerrada neste domingo, 10, por exemplo, a empresa apresentará o filme Bright, uma ficção com elementos de fantasia, protagonizada por Will Smith e Joel Edgerton e dirigida por David Ayer – os três estarão presentes em um painel na CCXP, marcado para começar às 17h30. 

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