TIAGO QUEIROZ / ESTADÃO
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Salas de cinema de São Paulo esperam pelo sinal verde da Prefeitura

Locais de exibição de filmes garantem estar prontos para reabrir e receber público com segurança; infectologistas, porém, divergem

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 05h00

Profissionais que trabalham com cinema – desde exibidores e técnicos até atores e produtores – aguardam ansiosamente pelo dia 20 de setembro. É nessa data, segundo noticiou o prefeito Bruno Covas na sexta-feira passada, que pode começar o período (que vai até 10 de outubro) em que a cidade deixará a fase 3 (Amarela) para entrar na 4 (Verde). Com isso, as salas de exibição estarão liberadas a retomar suas atividades, desde que seja seguido um rígido protocolo de segurança sanitária. “Estamos prontos desde julho”, anuncia André Sturm, diretor do Petra Belas Artes, relembrando a primeira data de flexibilização de regras prometida pelos governantes, mas que acabou não cumprida.

Desde então, iniciou-se um processo de adaptação a partir de protocolos definidos pelas equipes do Plano São Paulo, que é o programa do governo estadual que classifica o nível de quarentena. Os critérios são rígidos, segundo Sturm. “Mais que os da França, México, Costa Rica e Coreia do Sul”, observa ele que, se confirmada a liberação a partir do dia 20, promete reabrir as portas quatro dias depois. Já algumas distribuidoras preferem esperar pela decisão da Prefeitura. A Warner, por exemplo, adiou do dia 24 de setembro para 15 de outubro a estreia de um de seus principais lançamentos, Tenet, de Christopher Nolan.

Salas de cinema, teatro, concertos e museus foram as primeiras a serem fechadas, em março, quando a pandemia já avançava. E, por conta dos diversos critérios de segurança, ficaram para o final da fila de reabertura. O longo período provocou inconformismo (especialmente quando outras atividades também consideradas de risco como viajar de avião ou frequentar templos e igrejas foram liberadas) e prejuízos. “Nosso patrocínio garante o pagamento do aluguel do espaço, mas os salários são honrados com o dinheiro da bilheteria”, conta Sturm, que conseguiu amenizar a situação com um crowdfunding e a abertura do drive-in no Memorial da América Latina. Mesmo assim, precisou dispensar dois funcionários.

O protocolo de reabertura divulgado sábado, pela Prefeitura, é extenso (oito páginas) e trouxe uma boa notícia: cada sala poderá funcionar por 8 horas diárias e receber até 60% de sua capacidade máxima e não 40%, como aguardavam os exibidores. E, nos primeiros 28 dias em que o município estiver na fase verde, esse porcentual estará limitado a 200 pessoas, podendo chegar a 500 depois desse período, se não houver regressão de fase.

As questões de higiene são as conhecidas, como a medição de temperatura e o uso constante de máscara e do álcool em gel, que deverá estar disponível em diversos pontos. As salas deverão também passar por um processo de desinfecção prévia antes e depois de cada sessão, e a ocupação das poltronas terá de ser intercalada. “Já estamos preparados para isso, pois a bilheterias têm um software que bloqueia automaticamente os assentos do lado esquerdo e do direito do lugar escolhido”, explica Sturm, explicando a necessidade de se manter venda na bilheteria. “Cerca de 92% dos bilhetes são adquiridos lá, pois nem todos conseguem comprar pela internet.”

O protocolo prevê ainda um escalonamento na saída dos espectadores, começando pelas fileiras mais próximas das portas até chegar às mais distantes. Já o sistema de ar condicionado, considerado o ponto mais frágil para a reabertura das salas, é seguro, garantem os exibidores. Isso porque a entrada e a saída de ar são feitas por dutos separados, o que garante a troca segura e frequente de ar dentro das salas. “Investimos R$ 1,5 milhão nesse sistema no Belas Artes”, explica Sturm, contando que vai reabrir 4 das 6 salas do complexo. “Justamente as que têm portas para a rua e que serão abertas entre as sessões.”

Apesar das garantias, ainda há restrições para a reabertura. “Estamos com índice de infecção muito alta e já foi demonstrado recentemente que indivíduos infectados e assintomáticos têm uma capacidade de transmissão alta. Além disso, o uso de máscara leva a proteção, mas não é 100% segura – ainda mais em ambientes fechados como os cinemas”, comenta João Viola, presidente do comitê científico da Sociedade Brasileira de Imunologia.

Para ele, o distanciamento entre as cadeiras e espaçamento das sessões não são suficientes como medida de prevenção. “Mesmo os países que foram bem sucedidos na controle da infecção, como a Nova Zelândia, tiveram pequenos focos de segunda onda de infecção quando abriram as atividades, tendo que fazer novos fechamentos.” / COLABOROU LARISSA GASPAR

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