Rafael Vázquez/EFE
Rafael Vázquez/EFE

O talento de Ricardo Darín, maior estrela do cinema argentino, em cinco filmes

Ator estreia nesta quinta-feira, 31, o filme 'A Odisseia dos Tontos'; confira outros títulos

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2019 | 13h54

Qual o segredo de Ricardo Darín? Difícil dar uma resposta simples, mas seu sucesso tem a ver, talvez, com a beleza máscula e aparência íntegra que empresta a seus personagens. Darín seria o nosso Humphrey Bogart, disse um crítico. De fato, como Bogart, Darín passa essa impressão de inteireza, de confiabilidade e certeza numa época de tantas ambivalências.

 Mas, como Bogart, Darín não se esquiva de personagens em tese negativos, pois os grandes atores sabem que vilões têm seus encantos e que Iago, em certo sentido, pode ser um personagem mais forte que o pobre Otelo. 

Daí que, em Nove Rainhas, Darín encarna um inesquecível malandro de rua, especialista em identificar otários e separá-los do seu dinheiro. Ou em Abutres, como advogado oportunista, sempre de olho na grana alheia. Tudo isso sem perder seu carisma. Mesmo porque, quem conhece os filmes, sabe que as reviravoltas muitas vezes redefinem esses personagens e os melhoram ao longo do enredo. 

Mas esse carisma, essa indefinível capacidade de comunicação com o público, fica ainda mais evidente em papéis explicitamente “positivos”, de reserva moral numa sociedade corrompida, como é o caso do seu mais recente A Odisseia dos Tontos. Ou em O Filho da Noiva ou Luna de Avellaneda

Além de suas características pessoais como ator, Darín administra muito bem sua carreira. Sabe que, para ter sucesso, precisa de papéis em filmes bem construídos, de narrativa clássica, falando de algo que toca o público naquele momento e forneçam doses razoáveis de emoção, porque é o coração e não a razão que aponta para as pessoas o caminho das salas de cinema.

Cinco filmes

Nove Rainhas (2000), de Fabián Bielinsky. Embora tenha começado no cinema em 1969, foi apenas com este filme que Ricardo Darín se projetou como nome certo de bilheteria, tanto na Argentina quanto no exterior. Contracenando com Gastón Pauls, Darín vive Marcos, um malandro que vive à procura de otários para aplicar-lhes golpes. Inteligência, diálogos ágeis e reviravoltas fazem o encanto deste filme. Mas o que seria dele sem o carisma de Darín?

O Filho da Noiva (2001), de Juan José Campanella. Darín é Rafael, filho de uma senhora senil interpretada pela grande dama do cinema argentino, Norma Aleandro. O filme é comovente pela maneira como Rafael tem de lidar com uma mulher com Alzheimer, que pensa ter regressado à juventude. A história, contudo, não deixa de ser uma metáfora da própria Argentina, às voltas com fantasmas do passado, que evoca sem conseguir desvendar seu significado. 

O Segredo dos seus Olhos (2009), nova colaboração com Campanella, numa obra que recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro. Darín é Benjamín Espósito, oficial de justiça obcecado por um crime no qual uma moça recém-casada foi estuprada e morta. A ação se passa em dois tempos, com Espósito jovem tentando encontrar o assassino e o mesmo personagem, 25 anos depois, escrevendo um livro a respeito do caso. 

Abutres (2010), de Pablo Trapero. O filme às vezes é um tanto esquecido na filmografia de Ricardo Darín, mas é um dos seus melhores trabalhos. Talvez os fãs fiquem um pouco chocados com o personagem, um canalha total. Ele é Sosa, um advogado sempre presente em acidentes de trânsito, para extorquir dinheiro tanto das vítimas quanto das seguradoras. Darín, que administra muito bem sua carreira, e escolhe com acerto seus papéis, sabe que bons vilões também fazem parte de uma trajetória de ator. 

Um Conto Chinês (2011), de Sebastián Borensztein, mesmo diretor de A Odisseia dos Tontos. Neste trabalho anterior com Borensztein, Darín é Roberto, recluso  e mal humorado dono de uma pequena loja. Seu cotidiano é alterado com a chegada de um rapaz chinês, que acabara de ser assaltado e não fala uma palavra em espanhol. A princípio relutante, Roberto consente em abrigar o estranho em sua casa. O desafio, aceito e bem conduzido, é levar até o desfecho da história a situação improvável de dois indivíduos que convivem sem falar o idioma do outro.

 

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