Jordan Strauss
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Meryl Streep é colocada na berlinda pela amizade com Harvey Weinstein

Quando veio à tona o escândalo sobre Weinstein, no começo de outubro, a atriz se disse "horrorizada" pelas denúncias "desonrosas" sobre as quais assegurou na ocasião não ter ideia

AFP

23 Dezembro 2017 | 14h35

Meryl Streep arrancou aplausos no começo do ano por seu discurso de repúdio a Donald Trump; 12 meses depois, seu nome está na berlinda pelo escândalo sexual que sacode Hollywood.

A atriz de 68 anos, ganhadora de três Oscar, está sob ataque pela negativa insistente a qualquer conhecimento sobre a conduta do magnata do cinema Harvey Weinstein, acusado de passar a carreira assediando, abusando, intimidando e estuprando mulheres.

Streep trabalhou em várias produções de Weinstein e se referiu a ele como "deus", em tom de brincadeira, durante os Globos de Ouro de 2012.

Uma das maiores atrizes de sua geração, Streep tem uma brilhante carreira de 40 anos na qual interpretou de uma sobrevivente de um campo de concentração nazista a uma mãe cantora do ABBA.

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Obteve a primeira de um recorde de 40 indicações ao Oscar em 1979 com seu papel no drama de guerra O Franco-Atirador e ganhou a estatueta em três ocasiões, a última em 2012 pelo papel como a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher em A Dama de Ferro, distribuído pela empresa de Weinstein.

Seu ativismo político ganhou as primeiras páginas quando, em seu discurso ao receber um prêmio honorário no Globo de Ouro, denunciou Trump, ganhando elogios e algumas críticas.

Quando veio à tona o escândalo sobre Weinstein, no começo de outubro, se disse "horrorizada" pelas denúncias "desonrosas" sobre as quais assegurou na ocasião não ter ideia.

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Mas nem todos aceitaram esta versão, particularmente os ativistas do movimento nas redes sociais #MeToo ("eu também", em português), contra o abuso sexual, que chegaram à conclusão de que os mais próximos do produtor sabiam de seu comportamento e decidiram ignorá-lo.

"Hipocrisia" 

Rose McGowan, que alega ter sido vítima de Weinstein e é uma das principais ativistas contra ele, criticou a atriz pela intenção de se vestir de preto em um "protesto silencioso" nos Globos de Ouro.

"TEU SILÊNCIO é O PROBLEMA", escreveu no Twitter, em um post que depois apagou. "Desprezo a sua hipocrisia".

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Streep respondeu na segunda-feira em um comunicado, enviado ao Huffington Post, no qual insistiu desconhecer a conduta do influente produtor, investigado pelas polícias de Nova York e Los Angeles.

"Não guardei silêncio deliberadamente, não sabia, não aprovo o estupro", disse.

O texto não conseguiu apaziguar as críticas contra ela. Ao contrário, esta semana dezenas de cartazes apareceram em Los Angeles, acusando Streep de facilitar as ações de Weinstein, que afirma que todas as relações sexuais foram consentidas.

Sabo, um artista de rua de 49 anos e ex-membro dos Marines, fuzileiros navais dos Estados Unidos, assumiu a autoria destes cartazes nos quais Streep aparece sorridente ao lado do produtor e sobre seus olhos, uma faixa vermelha diz "Ela sabia".

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Ele explicou que a campanha é uma represália à atriz por usar seu filme mais recente, The Post para atacar Trump, que também foi acusado de abuso sexual por 16 mulheres.

Por que ela?

O colunista de entretenimento Ira Madison III escreveu que acha que Streep diz a verdade e que os ataques pelo caso Weinstein não são mais que uma manifestação de machismo do showbiz.

"Aqui estamos atacando uma mulher por algo que talvez soubesse ou não, quando todo mundo insiste em que todos na indústria sabiam", lançou.

"Por que então George Clooney ou Brad Pitt não foram atacados tão agressivamente quanto Streep? Por que não Bob Weinstein, seu próprio irmão, que tem se saído relativamente ileso da queda de Harvey?".

Mas o público não parece dar a ela o benefício da dúvida.

Jeetendr Sehdev, especialista na imagem das celebridades, recolhe duas vezes por ano a opinião de 2.000 pessoas ao acaso nos Estados Unidos para falar sobre os ricos e famosos como parte de um estudo que iniciou em 2012.

Ele disse que 58% dos consultados em outubro sobre o caso Weinstein manifestaram repúdio à atriz.

"As afirmações de Streep de que ela não sabia [de Weinstein] são ridículas e um beijo da morte para sua imagem em Hollywood", disse à AFP o bem sucedido autor do livro The Kim Kardashian Principle.

Ele acusou a aclamada atriz de subestimar a inteligência do público e a coragem demonstrada por suas colegas que o denunciaram, ao mesmo tempo em que disse que Clooney também tem explicações a dar.

"Muita gente acha que Weinstein procurava seus amigos mais próximos para ver se podiam falar ao seu favor para tentar reduzir os danos. Streep e Clooney eram parte desse pacto?".

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