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'Davi vai enfrentar Golias', diz Alê Abreu sobre 'O Menino e o Mundo' no Oscar

- Atualizado: 15 Janeiro 2016 | 20h 40

Diretor brasileiro conversou com a imprensa nesta sexta, 15, um dia após saber que sua animação concorrerá a uma estatueta; veja trailer

Alê Abreu deu na sexta, 15, sua primeira coletiva no Brasil, após a indicação de O Menino e o Mundo para concorrer ao Oscar de animação. Na mesma hora, estava ocorrendo a cabine de imprensa de O Regresso, o longa de Alejandro González Iñárritu que cravou 12 indicações para o prêmio da academia, inclusive nas categorias principais de melhor filme, diretor e ator (Leonardo DiCaprio). Mesmo com uma concorrência tão pesada, havia muita gente na coletiva de Alê. Ele brincou: “Nunca reuni tanta gente para uma entrevista no Brasil”.

É o efeito Oscar. O Menino e o Mundo ganhou 44 prêmios internacionais e, como se trata da idade do diretor, pode-se dizer que O Menino já emplacou um prêmio para cada ano da vida dele. O Oscar, quando, ou se vier, será o 45.º. Pode parecer excessivo pensar tão grande, quando Davi concorre com o Golias da animação, a Pixar. Entre os filmes indicados, está Divertida Mente que, tudo indica, será o vencedor. Alê reconhece a força da Pixar, mas, nesse caso específico, acha Divertida Mente bom, não ótimo, e isso já antes de estar na mesma disputa. Sua distribuidora nos EUA – a Gkids – já lhe enviou um e-mail com uma extensa programação de coisas que terá de fazer. “For your consideration”, para sua consideração – é uma das normas da indústria. “Para o pessoal da Gkids, o mais difícil já foi atingido, que é chegar entre os cinco”, conta.

 
 

E ele acrescenta que fez tudo direitinho, como sempre. “Meu primeiro longa, O Garoto Cósmico, já tinha recebido três prêmios. E foi um ato de amor, como O Menino.” De repente, com o novo filme, tudo ficou maior. Ele reflete: “Não imaginava que o filme fosse ganhar em Annecy. Um ano antes, o Luis Bolognesi venceu o festival com Uma História de Amor e Fúria, e isso criou uma expectativa favorável. Depois que O Menino venceu os prêmios do júri e do público em Annecy, tenho certeza de que neste ano haverá uma expectativa muito grande pela participação brasileira.” 

No próprio Oscar, um influente jornalista da área, ao fazer sua crítica positiva do Menino, acrescentou: “Atenção, Pixar, chegou a zebra do prêmio”. Pode ser mera coincidência, mas quando a Gkids programou uma sessão de O Menino no começo de dezembro, em Los Angeles, a Pixar promoveu um evento de última hora para roubar o público da animação concorrente.

Zebra, Davi contra Golias. Alê Abreu não se incomoda com as comparações. O que ele quer é continuar fazendo suas animações. Diz que ‘animador’ já é uma profissão no Brasil e, mesmo assim, a animação brasileira não sofre a pressão da grande indústria. Ainda é uma atividade de sonhadores que vão colocando o pé no chão, em contato com a realidade. Num comunicado no Facebook, quando ainda estava no interior, Alê fez 1.001 agradecimentos – “À equipe, ao cinema brasileiro, à Ancine e às políticas que possibilitaram a realização de um filme independente, sem qualquer demanda de mercado, e à Gkids, que levou o filme aos EUA e batalhou muito por nós. Nosso filme nasceu como um grito sincero, de liberdade, de amor, um grito político, latino-americano. Mas, sobretudo, um grito contra o sufoco que a grande indústria cria aos potenciais artísticos, poéticos, e de linguagem da animação. E acho que este grito ecoou onde precisava ecoar. É um momento importante no qual filmes de animação mais autorais concorrem ao prêmio maior da indústria de cinema”.

Seu próximo longa, Os Viajantes da Floresta Encantada, será uma parceria com a empresa Buriti, de Laís Bodanzky e Luis Bolognesi. “Assim pode ser que consiga me concentrar só na parte criativa. Tive de trabalhar como produtor do Menino e isso consumiu muita energia. Toda a equipe teve de se desdobrar em múltiplas funções. Quando terminamos, a foto mostra todo mundo com olheiras do tamanho da cara, de tão cansados.” Por falar em processo criativo, não se pode falar no Menino sem destacar a paleta ‘lisérgica’ de cores de Alê. Como ele cria essa paleta? “De forma intuitiva. O filme divide-se em 40 sequências, cada uma tratada como verso de um poema. E cada uma tem a sua cor. Não são cores primárias, como as do Garoto Cósmico. São mais nuançadas, impregnam-se mais. Você tem razão – é uma paleta lisérgica, e eu me orgulho muito dessa escolha.”

 

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