O Menino e o Mundo
O Menino e o Mundo

Herdeiro do 'Submarino Amarelo', filme brasileiro indicado ao Oscar é uma bela animação

'O Menino e o Mundo' foi indicado e vai concorrer na cerimônia da Academia de Hollywood, que ocorre no dia 28 de fevereiro

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2016 | 12h47

E, afinal, o Brasil estará na disputa do Oscar, não com Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, mas com O Menino e o Mundo, a bela animação de Alê Abreu que tem sido um sucesso através do mundo, papando prêmios e ganhando prestígio em eventos internacionais. O próprio Alê, prevendo, talvez, a barulheira da indicação, isolou-se no interior, sem celular, em Santo Antônio. O pessoal de sua produtora, a Filmes de Papel, o busca para conseguir pelo menos conseguir uma declaração.

A animação brasileira está chegando lá. No passado, Meow, de Marcos Magalhães, foi pioneiro ao ganhar a Palma de Ouro do curta em Cannes, em 1981. No ano passado, História de Humor e Fúria, de Luiz Bolonesi, venceu o Festival de Annecy, o Cannes dos filmes animados, e quase foi para o Oscar. O Menino e o Mundo bisou o Cristal de Annecy – a Palma de Ouro da animação mundial – e ainda ganhou o prêmio do público, mais 33 prêmios nacionais e internacvionais, incluindo o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro da categoria. Foi vendido para mais de 90 países e o número deve aumentar, agora que disputa o Oscar.

O Menino e o Mundo é sobre um garoto que deixa sua aldeia, em busca do pai. Faz sua jornada de autoconhecimento, encontra seres estranhos como bichos/máquinas e descobre o problema da desigualdade social, tanto nas fazendas como nas indústrias, nas quais a automação produz desemprego. Alê Abreu, de 44 anos, fez seu filme com US$ 500 mil, uma verba irrisória comparada aos US$ 200 milhões de O Bom Dinossauro, que também concorre na categoria.

O diretor já havia comemorado a pré-indicação dizendo que era a prova de que animação brasileira existe. Segundo o The New York Times, Alê conseguiu resgatar a consciência global colorida dos anos 1970, que andava perdida. Perdida para o NYT, porque quem conhece o cinema de Alê Abreu sabe que ele se nutre desse colorido herdeiro do movimento hippie e da viagem lisérgica dos Beatles em O Submarino Amarelo.

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