Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Tom Cavalcante estreia nova sitcom, 'Dra. Darci', no Multishow

Humorista vive na série um terapeuta que precisa se vestir de mulher para garantir o ganha-pão

Pedro Rocha, Especial para O Estado

17 Junho 2018 | 06h00

No set de sua nova série em formato de sitcom para o Multishow, Dra. Darci, durante o ensaio, o ator Tom Cavalcante não para. Mesmo quando não está em cena, observa tudo, dá palpites e sugestões, brinca com os colegas e o diretor, Marcio Trigo, e ainda improvisa e revê piadas ali mesmo, na hora, todas bem factuais. “E se a gente colocar aquela frase da (ministra) Cármen Lúcia?”, questiona ao passar uma cena. 

Em Dra. Darci, que estreia nesta segunda-feira, 18, Tom Cavalcante vive um terapeuta, pai de família, que está desempregado. Ele então consegue um trabalho de conselheiro num programa de rádio que faz grande sucesso. O problema é que, por conta do seu nome dúbio, os ouvintes acreditam que Darci é, na verdade, uma mulher. Quando o programa começa a ser transmitido em vídeo pela internet, o personagem precisa sustentar a mentira, e passa a se vestir como a Doutora Darci. 

“A série fala da crise. Partimos do ponto que ele está desempregado e precisa encontrar uma forma de se sustentar”, diz Tom em conversa com o Estado nos bastidores de Dra. Darci, em São Paulo. A série, que terá 20 episódios, exibidos de segunda a sexta-feira, às 22h30, no Multishow, foi gravada durante cerca de quatro meses na capital paulista, onde é também ambientada. Já é o seu terceiro programa no canal pago, depois da sitcom Partiu Shopping e de Multi Tom, que teve duas temporadas, com mescla de talk-show e variedades.

A esposa do comediante, Patricia, produz a série, por meio da Formata, produtora da qual é sócia, e Tom escreve o texto, em parceria com um time de roteiristas. O roteiro, porém, é mudado a todo o momento e a finalização vem apenas com os atores em cena. “Se nós, os produtores ou o diretor percebemos que alguma coisa não está funcionando, temos a liberdade de mudar, mesmo quando já estamos gravando”, explica o ator, que no dia anterior à gravação havia ficado acordado até duas da manhã revisando o roteiro. “Pedimos desculpas para a plateia que está aqui e mudamos. O importante é o resultado final para as pessoas que estão em casa, que esperam o nosso melhor.”

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Muitas dessas modificações são para incluir piadas atuais, de acontecimentos políticos e sociais ocorridos no período de gravações. “Sempre trabalhamos com o factual”, afirma. Para ele, as alfinetadas políticas são importantes. “A gente vem caminhando nessa nota de um acorde só. O mundo evoluindo lá fora e a gente andando para trás.” A situação de crise é evidenciada na série também pela mulher de Darci, Cíntia, vivida por Fabiana Karla, uma professora da rede pública que fica viciada em remédios por conta do estresse da profissão.

A personagem, junto com os filhos do casal, apoiam Darci na decisão de se travestir para manter o emprego na rádio. Com a popularidade, inclusive, a “Doutora” passa a atender pacientes na sua casa. O problema é que ninguém pode descobrir o segredo, nem mesmo o seu sogro, papel de Roberto Guilherme, que desenvolve uma paixonite pela terapeuta. “Tenho uma felicidade enorme de ter formado um grupo diversificado”, comemora Tom. “São três gerações atuando.”

A experiência de Tom com o formato sitcom já é longa. Um dos seus personagens mais famosos, Ribamar, ganhou fama no Sai de Baixo, da Globo, entre 1996 e 99. “A sitcom tem uma vida longa e perene para o humor, vai sempre funcionar”, analisa o ator, que acredita que a chave para o sucesso do formato é fazer com que o público se veja representado na telinha. “E tenho um certo domínio nisso. Foram quatro anos vivenciando intensamente a direção de Daniel Filho, Zé Wilker e Dennis Carvalho”, relembra.

Atuando nas quatro linhas, além do programa na TV, Tom lançou no ano passado seu filme Os Parças e segue com sua turnê de stand-up pelo País.

ENTREVISTA: Fabiana Karla

Como surgiu o convite?

O Tom queria muito que eu fizesse, fui muito desejada nessa produção e fiquei honrada por trabalhar com ídolos.

Há um grande espaço para improvisação, certo? 

O texto é maravilhoso, mas gostamos de colocar nosso tempero e o diretor nos dá liberdade. 

Como é dar vida a uma professora do ensino público?

Acho oportuno trazer uma profissão tão importante para o humor. Ela vive nervosa. O professor tem uma barra para segurar, por trabalhar com um salário nada digno e tendo de enfrentar uma sala de aula nos dias de hoje. Às vezes, não tem material ou falta luz.

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