Jarrod Bryant
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Humor do filme ‘Os Parças’ ultrapassa 1 milhão de espectadores

Longa do cearense Halder Gomes revela a São Paulo popular com graça, inteligência e até um tanto de drama

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

20 Dezembro 2017 | 04h00

Halder Gomes conversa com o Estado pelo telefone. O prefixo do celular é de Fortaleza, mas ele atende no interior de São Paulo. “O que você faz aí?” Gomes informa que está filmando Cine Holliúdy – A Série. A terça, 19, foi particularmente importante para ele, e não pela noturna que ia dirigir dali a pouco. Seu novo longa, Os Parças, iniciou o dia com 972.220 espectadores e a estimativa da distribuidora Downtown Filmes é de que fecharia com mais de 1 milhão.

O cearense Gomes pratica um humor popular testado em sucessos como Cine Holliúdy e O Shaolin do Sertão. Ele já filmou Holliúdy 2, que lança em maio de 2018. Chamou-o o produtor Bruno Wainer, da Downtown, querendo conversar com um projeto que envolvia Tom Cavalcante, Tirullipa e o youtubber Whindersson Nunes. “Me interessei pela coisa, mas o roteiro ainda não era definitivo e eu avisei que só entrava se pudesse trabalhar nele.” Num ano que não está sendo nada bom para o cinema brasileiro – com exceção de Paulo Gustavo, claro –, Gomes chegou lá. Mais de um milhão de espectadores não representa pouca coisa.

+++ 'O meu humor não ofende ninguém', diz Tom Cavalcante

O curioso é que, embora o humor de Gomes seja popular, seu filme está fazendo o ‘crossover’. O repórter assistiu-o no fim de semana em Curitiba, por uma circunstância na sala VIP do shopping mais luxuoso da cidade, com ingresso a R$ 56 e atendimento de garçom. Embora pequena, a sala estava cheia e a burguesia curitibana ria muito.

“Meu humor pode ser popular, mas também é social”, destaca o diretor. O repórter que o diga. Não apenas por ser cearense, Gomes conhece e respeita uma figura histórica do cinema de lá – Rosemberg Cariry. Um dos grandes filmes brasileiros do ano, apesar do público reduzido, foi – está sendo – Pobres Diabos, de Cariry. Os artistas de um circo mambembe, em pleno sertão. Os Parças tem algo de um Pobres Diabos da comédia, e urbano.

“Foi o que mais me atraiu nesse filme, com a possibilidade de trabalhar com comediantes tão talentosos. Imagine – é o primeiro filme do Tom, um grande cômico. Passa-se no centro de São Paulo, na área de comércio popular ao redor da 25 de Março. Cenas importantes foram rodadas naquelas ruas, galerias e no Viaduto Santa Ifigênia. O filme retrata nordestinos, mas tem a cara de São Paulo.”

Os quatro protagonistas – Tom, Whindersson, Tirullipa e Bruno de Luca – são forçados a participar de um golpe que envolve uma agência de casamentos na 25 de Março, e uma noiva, a bela Paloma Bernardi, que está sendo enganada. O noivo encara a união como negócio, e só está querendo utilizar a estrutura do pai dela para distribuir a droga de um traficante que também espera lucrar com o negócio.

O quarteto é perseguido pelo policial Milhem Cortaz, e numa cena ele se emociona a ponto de chorar de pena dos pobres-diabos. A cena tem a cara do cinema de Halder Gomes. Há um Brasil, não necessariamente o da elite, que flui através daquelas imagens. O grande ‘tchan’ do casamento é o show de Fábio Jr., e não é mera coincidência que o pai de Cléo Pires, casamenteiro profissional, também faz o show no filme de Ingrid Guimarães, que estreia na quinta, 28.

Na 25 de Março e na classe média mais alta retratada por Ingrid, todo mundo quer Fábio Jr., nesse caso, uma magnífica imitação de Tom Cavalcante.

Considerando-se que Tom é amigo do ‘rei’ Roberto Carlos, não teria sido melhor colocar o próprio? “No roteiro era, mas tivemos de mudar em cima da hora. Ficamos felicíssimos com o Fábio, que topou a brincadeira.” O resultado é ótimo. Humor, romance, drama, uma pitada de paródia.

Entrevista com o diretor Halder Gomes: 'Meu humor tem essa pegada social’

O que você está filmando no interior de São Paulo, e onde?

O lugar chama-se Areias e foi escolhido porque pode passar pelo Nordeste. Estamos fazendo Cine Holliúdy – A Série, com parte do elenco original e novos atores como Matheus Nachtergaele. Já fizemos o 2, para estrear no ano que vem, e agora a série na Globo. É uma coisa operacional. O interior de São Paulo é mais perto do que filmar no Ceará, é também serve ao caráter paródico da obra.

Como você se sente com o milhão de espectadores dos Parças?

Feliz, porque o filme nasceu com a vontade de ser popular e chegar ao público sempre foi a intenção. Mas é o meu cinema de sempre.

Você conhece o Rosemberg Cariry, e se eu lhe disser que Os Parças é o Pobres Diabos do humor?

Me agrada a ideia, pelo Rosemberg e porque meu humor tem essa pegada social. A cara do Brasil, os perdedores que dão a volta por cima.

E o Tom Cavalcante?

É gênio. 

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