Peter Stills/Redferns/The New York Times
Freddie Mercury durante apresentação do Queen no Live Aid, em 1985 Peter Stills/Redferns/The New York Times

Por que o Dia Mundial do Rock é celebrado em 13 de julho?

Data celebra um dia histórico para o rock e para a música pop em geral

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 08h00

Muito antes do universo da pandemia e das lives beneficentes, quando aglomerações eram comuns e até almejadas, um eventou marcou a história da música pop - e do rock - para sempre. Em 1985, o Live Aid reuniu alguns dos maiores nomes da música mundial da época a fim de arrecadar fundos para auxiliar o combate à fome no continente africano. E é por causa dessa iniciativa que se comemora o Dia Mundial do Rock em 13 de julho.

O Live Aid foi organizado pelo cantor irlandês Bob Geldof e era uma empreitada ambiciosa: dois festivais em estádios lotados, um no John F. Kennedy Stadium, na Filadélfia, EUA, e o outro no lendário Wembley Stadium, em Londres, Inglaterra. Além dos cerca de 80 mil espectadores em cada, havia uma plateia estimada em 2 bilhões de pessoas pelo mundo inteiro assistindo aos concertos pela televisão.

Entre os artistas que participaram do Live Aid estão: Queen, Paul McCartney, U2, The Who, Elvis Costello, Sting, Phil Collins, Dire Straits, David Bowie, Elton John, B.B. King, Black Sabbath, Judas Priest, The Beach Boys, Santana, Kool & The Gang, Madonna, Neil Young, Eric Clapton, Crosby, Stills, Nash & Young, Mick Jagger e até uma reunião do Led Zeppelin.

A apresentação do Queen, aliás, foi tão icônica que ganhou uma adaptação quase quadro a quadro na cinebiografia Bohemian Rhapsody, com Rami Malek no papel de Freddie Mercury.

O Live Aid ocorreu em um período de ouro para os super-festivais. Impulsionados pelo mítico Woodstock, realizado em 1969, os festivais passaram a ganhar força e corpo na década de 1970 até se moldarem como um formato gigantesco, reunindo grandes nomes da música, como conhecemos hoje.

Iniciativas de caridade envolvendo a reunião de astros também estavam em voga na época: em 1971, George Harrison organizou o Concert for Bangladesh; em 1979, Paul McCartney encabeçou o Concert for Kampuchea; em 1984, um ano antes do Live Aid, ocorreu o Band Aid, que reuniu estrelas da música para gravar Do They Know It’s Christmas?; pouco tempo depois, Michael Jackson, Stevie Wonder e Lionel Richie se inspiraram na ideia para We Are the World.

O sucesso do Live Aid foi tamanho que chega a ser difícil calcular quanto se arrecadou ao todo com os shows. As estimativas partem em 40 milhões de libras e chegam à casa das 150 milhões de libras. Pela iniciativa, Geldof chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Além, é claro, de ter inspirado a criação do Dia Mundial do Rock na data em que ocorreu seu evento.

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'O dia do rock mais morno da história': como os roqueiros estão encarando a data na pandemia

Saudades dos palcos, festivais online e composições no isolamento fazem parte do novo cotidiano dos roqueiros

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2020 | 08h00

O rock, enquanto gênero musical, sempre foi associado à postura rebelde e ao enfrentamento das convenções. Trilha sonora de alguns dos principais momentos de transformação social do século 20, o estilo “morreu” e se reinventou diversas vezes ao longo das décadas, mas nunca deixou de ser o som do inconformismo. Desde 1985, quando foi realizado o Live Aid, evento que reuniu figurões da música pop para combater a fome na África, é celebrado o Dia Mundial do Rock na data em que os shows ocorreram, 13 de julho, sempre com direito a grandes espetáculos em tributo a esse gênero. Não em 2020. 

Com o estouro da pandemia da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, shows, festivais e eventos foram cancelados. Aglomerações, antes almejadas, agora são sinônimo de risco à vida. Nesse cenário catastrófico, a celebração do Dia Mundial do Rock passou para o ambiente digital, onde as pessoas podem se reunir de suas casas sem perigo de contaminação.

“Com certeza vai ser um Dia Mundial do Rock totalmente diferente de todos os que já aconteceram”, afirma Branco Mello, vocalista e baixista dos Titãs. “Quem quiser comemorar essa data vai ouvir os seus discos preferidos, vai procurar na internet as melhores lives para assistir e não vai deixar de comemorar.”

Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, concorda: “Acho que esse vai ser o Dia do Rock mais morno da história dessa data. Acho que o rock precisa de uma conexão com as pessoas, a energia vital vem do contato. Daí que vem a visceralidade e a adrenalina do rock.”

Uma série de apresentações transmitidas ao vivo pela internet foram ao ar desde o dia 10 de julho para celebrar a data e não deixar a ocasião passar em branco. No Brasil, bandas como Sepultura, Angra, Planet Hemp, Raimundos, Roupa Nova, Matanza, Far From Alaska, Massacration e muitas outras brindaram os fãs com as chamadas lives, para entretê-los em casas nesse momento de quarentena.

Além das bandas, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo vem promovendo, ao longo de todo o mês de julho, uma programação especial voltada para os amantes do rock, com lives e eventos on-line. Afinal, mesmo o roqueiro, sempre identificado com a rebeldia, precisa se proteger.

“Eu acho que o rock sempre esteve ligado a essa coisas da rebeldia, da renovação da atitude. E, no momento atual, ficar em casa, quem puder, é claro, não é uma questão de rebeldia, é uma questão de necessidade”, afirma Branco, que se apresentou com os Titãs na Superlive Nerd Rock, transmitida pelo canal Omelete nesse domingo, 12, em mais um evento virtual em tributo à data. 

Sobre o que os músicos mais sentem falta nesse período, Branco não hesita: o contato direto com o público é o que dá saudades. Após conversar com outros artistas, Dinho revela que eles estão sentindo falta de tudo, “até dos perrengues”. “As horas e horas de trânsito até o local do show, os hotéis ruins, os restaurantes meia-boca, as passagens de som intermináveis, tudo o que envolve a produção de um show. As pessoas estão sentindo falta até dos aspectos de que a gente estava acostumado a ficar se queixando, tão sedentas que estão por voltar a trabalhar.”

Apesar dessa situação imposta por uma circunstância sanitária extraordinária, tanto Branco quanto Dinho se mantêm otimistas: “O rock vem se reinventando desde que nasceu e não vai ser diferente agora”, acredita o astro dos Titãs. “Se há algo de positivo que possa ter saído da pandemia talvez seja o fato de os músicos terem ficado confinados e talvez composto grandes letras, grandes músicas”, aposta Dinho. 

O frontman do Capital Inicial, aliás, lembra que estava ouvindo o Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, disco seminal dos Beatles lançado em 1967, depois que o Quarteto de Liverpool havia parado de fazer shows, em 1966. “É um dos momentos mais ricos em termos de canções e de construção de repertório da história do rock. Guardadas as devidas proporções, é possível que as bandas, tendo ficado em casa, acabem vindo à tona as gravações, quando isso tudo vier a ser registrado, é possível que esse se revele um dos momentos mais férteis. Eu tenho esperança que de fato esteja todo mundo trabalhando em casa e que esse grande período de introspecção sirval talvez como um terreno fértil. Espero que sim, nós descobriremos daqui a alguns meses.”

 

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