Juliana Azevedo
Juliana Azevedo

Um pedido de reflexão

Em um momento em que me sinto mais conectada com o mundo, o racismo estrutural se fez ainda mais visível para mim e para boa parcela da população mundial

Alice Ferraz, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2020 | 03h00

Março foi o mês em que oficialmente entramos em quarentena no mundo ocidental e quando a pandemia se tornou nosso assunto diário. Nossa vida passou, então, a ser moldada pelo movimento que “ele”, o vírus, faria. Mais agressivo, a curva da doença sobe e nós recuamos e nos escondemos. A curva desce, nos perguntamos: podemos ir à praia? Andar na rua? Tentamos adaptar nossas rotinas. As segundas-feiras não têm mais cara de segunda, nem fins de semana têm o mesmo gosto de pausa e divertimento. Os dias ficam parecidos sem o referencial estabelecido por anos de hábitos cotidianos.

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Seguimos buscando esse novo normal – que de normal só tem a palavra, porque até ele se transformar em normal mesmo, a vida vai passando. Buscamos construir a nova rotina possível no mundo da pandemia. Sempre disse que tinha pavor de rotina, passava mais da metade do ano viajando e achava que isso era prova do que dizia. Achamos que sabemos.

Me dei conta de que não era verdade, que minha falta de rotina era cheia de rotinas que nem percebia e amava. Passar metade do ano viajando era minha rotina, passar metade do ano em hotéis pelo mundo também era. Encontrar as mesmas pessoas em cada local que visitava e, assim, retomar as conversas de onde tínhamos parado, os cheiros das cidades e dos rios de cada um desses lugares. Sim, era a minha rotina e, agora, entendo isso.

Em meio à constante sensação de que algo está fora do lugar, pensamos que “nada pior pudesse acontecer”, mas podia e, aliás, já vinha acontecendo. Durante os últimos dias, isso ficou ainda mais claro. Em um momento em que me sinto mais conectada com o mundo, o racismo estrutural se fez ainda mais visível para mim e para boa parcela da população mundial.

O mundo virtual, que nos conectou por intermédio de milhões de aparelhos celulares, trouxe essa semana um feed com uma única notícia: um pedido de reflexão. Vejo nele uma oportunidade de mudança nas minhas ações, nas suas ações. Hora de fazer algo que vá além das palavras.

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