Christina Ruffato/Estadão
Christina Ruffato/Estadão

Ex-curador do Jabuti é acusado de racismo em evento da Flip

José Luiz Goldfarb nega discriminação contra funcionária da editora Patuá

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2018 | 12h09

O ex-curador do Prêmio Jabuti José Luiz Goldfarb, 61, foi acusado de racismo contra Sara Cristina Trajano da Silva, 24, durante um evento da Flip 2018, nessa sexta, 27. Ele, que é diretor da Educ, da PUC-SP, confirma o desentendimento com a funcionária da editora Patuá, mas afirma não ter havido racismo em sua fala. 

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Durante um dos eventos da Casa do Desejo, uma das residências onde ocorre a programação paralela da Flip em 2018, Goldfarb teria discutido com Sara por conta da posição de uma mesa de debates, que ele queria transferir para o lado externo da casa. De acordo com entrevista da secretária da Patuá ao jornal O Globo, ele teria afirmado que "é por causa de pessoas como você, da cor morena, que o mundo está assim". 

Sara não quis falar ao Estado, mas Eduardo Lacerda, editor da Patuá, que lidera a Casa do Desejo, confirmou todo o incidente à reportagem e afirmou que pediu a Goldfarb para "não aparecer mais na casa".

Goldfarb alega que não se referiu a Sara em termos racistas. "Disse a ela que não esperava uma atitude tão autoritária dela. E o que falei foi que as pessoas progressistas com atitudes autoritárias estão deixando o mundo do jeito que está", afirmou ao Globo. 

A Flip divulgou uma nota oficial de repúdio em relação ao fato: "A Flip repudia todo e qualquer ato de violência, racismo e discriminação e, diante do fato, recomendou aos organizadores da Casa do Desejo que peçam a substituição do representante da editora da PUC-SP em seu espaço. A organização da Festa Literária seguirá no acompanhamento do caso nos próximos dias."

Sara realizou boletim de ocorrência na 167ª Delegacia de Polícia de Paraty. / Colaborou Guilherme Sobota

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