Antonio Chahestian
Antonio Chahestian

Advogado de viúva de Gugu afirma que novos personagens surgem para desacreditar Rose

Declaração foi dada após Thiago Salvatico, suposto namorado de Gugu, entrar na briga pela herança do apresentador

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2020 | 12h21
Atualizado 14 de fevereiro de 2020 | 18h30

Em nota enviada ao Estado, o advogado Nelson Wilians que representa a viúva de Gugu Liberato, Rose Miriam di Matteo, afirma que “é possível que outros personagens apareçam. Isso parece parte de uma trama para desqualificar perante a Justiça a alegação de que havia união estável entre Gugu e a mãe de seus filhos, a viúva Rose Miriam. É só para criar tumulto, embaraço e constrangimento. Mas isso não interfere em nada no processo. O pedido de Rose é legítimo e compreende todos os requisitos de união estável”.

A declaração foi divulgada após Thiago Salvatico, suposto namorado de Gugu Liberato, ter procurado o escritório  de advocacia Traldi e Saggioro para representá-lo no  processo de inventário do apresentador. Patricia Saggioro Leal, uma das integrantes do escritório, confirmou ao Estado que ela e  Mauricio Traldi, outro sócio, estão representando o chef no inventário

Carlos Eduardo Farnesi Regina, advogado da família de Gugu, também se pronunciou em nota à imprensa. “É nossa obrigação moral defender a vontade de Gugu, em prol de seus filhos e herdeiros. Isso vale contra quem quer que seja que questione o testamento, por ele firmado, há tempos, e diante da lei. Não importa como se apresente: mãe, tio, amigo ou qualquer outro que deseje injustamente buscar se beneficiar com o falecimento de Gugu, ou que atente contra sua memória. ”

A morte de Gugu

O apresentador Gugu Liberato morreu em 21 de novembro de 2019, aos 60 anos, em Orlando, na Flórida, onde tinha uma residência. Ele havia sido internado em um hospital após sofrer um acidente na casa onde morava. 

 

A carreira de Gugu Liberato

Discípulo de Silvio Santos, com quem trabalhou pela primeira vez ainda nos anos 1970, Gugu marcou época na TV brasileira à frente de programas como Viva a Noite (SBT), Sabadão (SBT), Domingo Legal (SBT) e o Programa do Gugu (RecordTV). Atualmente, ele era o apresentador do reality show Canta Comigo, também na Record. 

Em 1988, com cada vez mais destaque no SBT, Gugu chegou a assinar contrato para apresentar um novo programa na Rede Globo, mas Silvio Santos foi pessoalmente ao dono da emissora, Roberto Marinho, pedir a rescisão do acordo para que Gugu continuasse no SBT – o que acabou ocorrendo. Quem entrou em seu lugar na emissora carioca foi Fausto Silva.

Especialmente com o Domingo Legal, Gugu foi líder de audiência nas tardes de domingo entre o fim dos anos 1990 e 2003, vencendo o Domingão do Faustão e provocando mudanças na linha editorial do programa global, que deixou de exibir quadros como o "sushi erótico".

A Justiça também entrou no caminho do Domingo Legal em alguns momentos. Em 2000, proibiu a exibição da "Banheira do Gugu" (quadro em que homens e mulheres seminus brigavam para alcançar um sabonete em uma pequena piscina molhada) antes das 21h. (os advogados do programa recorreram, mas o horário acabou mudando de qualquer forma).

Foi também nessa época que o programa começou a investir mais em reportagens jornalísticas, o que consolidou sua liderança nos domingos no início do século. Mas o investimento gerou outro problema com a Justiça.

No dia 7 de setembro de 2003, o Domingo Legal exibiu uma "entrevista" com dois membros do PCC a bordo de um ônibus na capital paulista. Porém, após investigação, a polícia descobriu que a entrevista era falsa. Os responsáveis pela investigação disseram na época que os encapuzados entrevistados não eram integrantes da facção criminosa e receberam R$ 500 cada um para participar do programa. O programa foi proibido pela Justiça Federal de ser exibido no dia 21 de setembro.

O apresentador foi denunciado por crime de ameaça e por dois crimes de imprensa pelo Ministério Público de São Paulo. A Justiça autorizou um indiciamento, mas uma liminar o impediu. O SBT acabou multado em R$ 1,7 milhão (valores da época). Naquele ano, o SBT registrou um prejuízo de R$ 33,6 milhões.  Gugu fez um acordo financeiro de R$ 750 mil em 2005 para encerrar o processo.

Gugu também apareceu diversas vezes nos cinemas, principalmente em filmes da Xuxa e dos Trapalhões, como em O Casamento dos Trapalhões (1988) e Xuxa e os Duendes (2001). O apresentador também gravou alguns compactos (discos de vinil com uma música de cada lado). Baile dos Passarinhos Docinho Docinho fizeram sucesso. Ele também chegou a fazer campanhas políticas para José Serra, do PSDB, nos anos 1990 e 2000.

Em 2009, ele saiu do SBT e foi para a Record TV (os números não oficiais estimavam que ele levaria R$ 3 milhões mensais). Em entrevista ao Jornal da Tarde no dia 30 de agosto de 2009, Gugu explicou sua mudança de emissora: "Minha decisão de ir para a Record foi baseada na oportunidade de trabalho que eles me ofereceram. O contrato envolve um plano de carreira promissor, ótimas oportunidades e condições de produção. Foram várias situações. Um plano de carreira, um contrato de oito anos, que não é comum na televisão, toda a estrutura de jornalismo oferecida, a cobertura internacional que teremos e o talk-show que vou fazer, inicialmente uma vez a por semana, na Record News. O próprio Silvio Santos me disse que se tratava de uma proposta irrecusável".

Gugu havia renovado o contrato com a emissora por mais três anos no início de 2019. "Estou muito feliz em comunicar que hoje renovei meu contrato com a Record TV. Agradeço a confiança de todos, especialmente do vice-presidente artístico e de programação, sr. Marcelo Silva", escreveu Gugu em seu Instagram na ocasião.

 

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