Pandora Filmes
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'Nos Vemos no Paraíso' e 'Custódia' estão entre as estreias da semana no cinema

Veja o que chega às telonas e programe-se para sábado e domingo

Luiz Zanin Oricchio e Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 06h00

Nos Vemos no Paraíso - BOM

Com Nos Vemos no Paraíso, Albert Dupontel faz um filme de guerra que escapa aos clichês do gênero. Na verdade, é a história de dois amigos que combatem na mesma trincheira durante a 1.ª Guerra Mundial. O armistício está próximo, mas quem se encontra no comando é um tenente mau caráter que, sem qualquer necessidade, manda seus homens atacar os alemães entrincheirados em frente. Na carnificina que se segue, um deles salva a vida do outro, que porém escapa com ferimentos graves que deformam seu rosto. 

Baseado no livro de Pierre Lemaître Au Revoir Là-Haut, o filme mostra a indiferença da sociedade em relação aos que voltam da guerra. Este também é um tema clássico. Os ex-soldados são recebidos como heróis, mas dificilmente se encaixam numa sociedade sofrida, que procura se reconstruir após a destruição. Juntos, Edourd Péricourt (Nahuel Perez Biscayart) e Albert Maillart (o próprio diretor Albert Dupontel) decidem então montar um golpe com monumentos falsos aos heróis da guerra.

O tom é um tanto novelesco e mescla drama e farsa em boa parte do tempo. Na verdade, alterna registros. A parte da guerra e do ferimento do soldado são dramáticas e duras, com combates bem filmados. Mais tarde, quando a dupla se reencontra em Paris, o tom se altera e a história se desdobra em leveza e ironia, com algumas piscadelas de olho ao surrealismo. Dupontel, como diretor, mostra-se capaz de costurar de maneira hábil essas alterações súbitas de tonalidade. Também é bom ator.

A narrativa em retrospecto acrescenta charme adicional ao filme, pois a história é reconstituída por Maillart a um oficial, num comissariado de polícia do Marrocos, onde se encontra detido. O tom retrô, incômodo para alguns críticos franceses (em especial na intolerante revista Cahiers du Cinéma) é bem construído e nada artificial./LUIZ ZANIN ORICCHIO

'Custódia'- BOM

Em Custódia, temos a separação de um casal transformada em verdadeira batalha campal pela guarda de um filho. Dirigida por Xavier Legrand, a história ganha o contorno de um thriller turbinado, em especial, pelo caráter violento de Antoine Besson (Denis Bénochet), o pai e marido em questão.

Aliás, as alegações de Miriam (Léa Drucker) para se separar baseiam-se no caráter pouco controlado e truculento de Antoine. Este, magnificamente interpretado por Bénochet, é um daqueles sociopatas sorrateiros, capazes de seduzir um júri para, em seguida, reincidir em seus atos.

O filme é cheio de energia. Parece ora um thriller ora um documentário sobre o tema da violência familiar. Legrand acerta ao evitar o tom maniqueísta, mas também não fica em cima do muro. Apenas não evita, em nome de uma clareza ilusória, as complexidades e ambiguidades que residem nos sentimentos humanos. Tanto nos bons como nos mais perversos.

Custódia participou do Festival de Veneza e ganhou os prêmios de direção e melhor obra de estreante./LUIZ ZANIN ORICCHIO 

A Noite Devorou o Mundo - BOM

Seria errado dizer que George Romero inventou o gênero de zumbis, que já existia antes dele. Em busca de exemplares, pode-se remontar ao ciclo de terror do produtor Val Lewton nos anos 1940. O que Romero fez, nos 1960, foi politizar seus filmes de mortos-vivos. Claro que a TV, recentemente, deu sua contribuição, com a saga de The Walking Dead. O cinema francês agora soma ao ciclo. A Noite Devorou o Mundo integrou, há pouco, a programação do Festival Varilux. O longa de estreia de Dominique Rocher possui certo humor, mas sua originalidade não vem daí. Anders Danielsen Lie vai à casa da ex-namorada para recolher alguns pertences. Ao chegar, descobre que rola uma festa. Em vez de se enturmar, prefere se isolar - recolher. Pega uma bebida e vai para o quartinho dos fundos. Deprimido, dorme. Ao acordar, descobre que não há mais ninguém em Paris - exceto mortos-vivos que infestam as ruas e tentam entrar na casa. Rocher não é Antonioni, mas sua contribuição ao gênero é a solidão do herói diante do perigo. /LUIZ CARLOS MERTEN

Homem-Formiga e a Vespa - REGULAR

Paul Rudd e Evangeline Lilly são simpáticos, é sempre bom rever Michael Douglas e Michelle Pfeiffer, mas é preciso ser muito fã de super-heróis - e dependente dos Estúdios Marvel - para se empolgar com O Homem-Formiga e a Vespa. O longa de Peyton Reed deverá apresentar números avassaladores - de público e renda. Afinal, estará num circuito gigantesco. E o marketing torna praticamente obrigatório que todo mundo, principalmente os jovens, vejam o filme. O começo até que promete. O jovem Michael Douglas e Michelle partem numa missão, ela se perde no mundo quântico e ele passa décadas, com a ajuda da filha, a Vespa, tentando trazê-la de volta. Os filmes de super-heróis em geral privilegiam a relação com o pai, só Zack Snyder e, agora, Reed fogem a esse figurino. Mas, claro, não tem comparação. Tem muita gente elogiando o vilão, nada demais, e as piadinhas, nada de novo. Mas o pior é o final em aberto, para justificar a sequência. Considerando o que ocorre, só com muita imaginação dos roteiristas o Homem-Formiga e a Vespa voltam. /LUIZ CARLOS MERTEN

Mulheres Alteradas - BOM

+++ 'Mulheres Alteradas' mostra o dia a dia feminino feito de sonhos e desilusões

Criação da cartunista argentina Maitena, Mulheres Alteradas ganha versão no Brasil, a cargo do diretor Luis Pinheiro, que fez suas mulheres à beira de um ataque de nervos. Vai ser difícil desgrudar o olho de Alessandra Negrini, Deborah Secco, Monica Iozzi e Maria Casadevall.

MOSTRAS

Malala

Dirigido por Davis Guggenheim, o documentário lança um olhar sobre os eventos que aconteceram com Malala - atacada pelo Taleban em 2012 por defender o direito à educação para as mulheres - e suas consequências, incluindo seu famoso discurso na ONU. Ativista é vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Espaço Itaú Augusta. Shopping Frei Caneca. R. Frei Caneca, 569, 3º piso, 3472-2359. Grátis (retirar ingresso 1h antes).

FIM - Festival Internacional de Mulheres no Cinema

Organizado por Minom Pinho e Zita Carvalhosa, o evento reúne 28 filmes, que estão divididos em quatro mostras, sendo duas competitivas (brasileira e internacional) e duas informativas. Hoje, será exibido Xica da Silva (foto). Haverá também mesas de debates sobre a equidade de gênero - tema e motivação maior do festival.

CineSesc e Espaço Itaú de Cinema - Augusta. R$ 20. Até 11/7 www.fimcine.com.br 

'Cachorros' - BOM

Cachorros é mais uma prova do vigor político do cinema chileno. Dirigido por Marcela Said, põe em cena a personagem Mariana (Antonia Zegers), filha de uma família rica, mas que sente um tédio danado diante da vida. Ela se sente ignorada tanto pelo pai como pelo marido e, para preencher o tempo, toma aulas de equitação com o enérgico e controvertido Juan (Alfredo Castro), sobre o qual pesam acusações de delitos durante a ditadura. O que Mariana não sabe é o quanto sua própria família pode estar envolvida com os crimes do passado. Cachorros é um drama político denso, baseado no fato de que períodos ditatoriais deixam marcas profundas na sociedade, que seguem produzindo efeitos muito tempo depois de haverem terminado. O filme passou na Semana da Crítica em Cannes e beneficia-se, em especial, da atuação do grande ator Alfredo Castro. Quem o conhece de filmes de Pablo Larraín como Toni Manero e Post Mortem sabe que ele é capaz de imprimir força e sutileza em seus personagens. Seu ameaçador Juan não é exceção. /LUIZ ZANIN ORICCHIO

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