Jim Urquhart/ Reuters
Jim Urquhart/ Reuters

Morre Rutger Hauer, o vilão de 'Blade Runner'

Ator holandês foi intérprete de Roy Batty no filme clássico de 1982

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2019 | 14h38

O ator holandês Rutger Hauer, intérprete do vilão Roy Batty no filme Blade Runner: O Caçador de Androides (1982) morreu aos 75 anos na última sexta-feira, 19.

Além do papel em Blade Runner, o ator participou de filmes como Sin City e Batman Begins. Hauer ainda interpretou o personagem Niall Brigant na série de vampiros True Blood

Uma carreira extensa e brilhante

No imaginário dos cinéfilos, ele será sempre o replicante de Blade Runner – O Caçador de Androides, e seu desaparecimento na ficção científica de Ridley Scott, de 1982, também será para sempre um daqueles momentos que o fã de cinema carrega pela vida. Podendo matar o caçador de androides interpretado por Harrison Ford, Rutger Hauer deixa-o viver. O voo da pomba representa esse instante fugidio.

Nesta quarta, 24, a morte deixou de ser uma ficção para o ator holandês de 75 anos. Rutger Oelsen Hauer morreu em sua casa, na Holanda, após uma breve enfermidade cuja natureza a família não divulgou. Embora deva muito de seu mito ao replicante de Blade Runner, Hauer teve uma carreira muito mais extensa, e brilhante.

Nascido em Breukelen, nos Países Baixos, ingressou ainda adolescente numa trupe de teatro, na qual permaneceu por cinco anos, até entrar, em 1969, para uma série que ficou muito popular em seu país, Floris. Ao vê-lo no vídeo, o diretor Paul Verhoeven chamou-o para um papel em Turkish Delight, de 1973. Começou aí uma parceria que prosseguiu com outros trabalhos importantes, como O Amante de Kathy Tippel, Soldado de Laranja e Spetters. Verhoeven, o autor de Elle, com Isabelle Huppert, sempre foi um transgressor e, com ele, Hauer interpretou ousadas cenas de sexo, incluindo homoerotismo.

Foram parar os dois em Hollywood, Hauer um pouco mais cedo, graças a Blade Runner; Verhoeven na sequência, adquirindo projeção internacional como diretor de blockbusters. Em Hollywood, Hauer fez filmes como O Feitiço de Áquila, de Richard Donner, com Michelle Pfeiffer; Conquista Sangrenta, o épico medieval de Verhoeven; e A Morte Pede Carona, thriller de estrada de Robert Harmon, no qual fazia psicopata que assombrava o pobre C. Thomas Howell, que o acolhia em seu carro.

Após esse filme, foi à Itália para fazer uma obra-prima de Ermano Olmi, A Lenda do Santo Beberrão, de 1989, um filme tão intimista e espiritualizado que revelou ao mundo uma nova dimensão do talento de Hauer. Ele poderia ter virado um ícone do cinema de arte. Preferiu voltar ao cinema de ação, com Fúria Cega, de Philip Noyce, no papel de um deficiente visual invencível com sua espada.

Nos anos 2000, foi o dono da empresa Wayne Corp., em Batman Begins, de Christopher Nolan; e o corrupto Cardinal Roark, que detinha o poder de Basin City no filme-gibi de Robert Rodriguez e Frank Miller, Sin City –A Cidade do Pecado. Hauer teve uma fase mais recente como ator de terror, fazendo o Van Helsing de Drácula 3D, de Dario Argento, e o vampiro Barlow da minissérie A Mansão Marsten, baseada na obra de Stephen King. Para permanecer na sua obra para TV, vale lembrar que ganhou um Globo de Ouro por Fuga de Sobibor, de Jack Gold, em 1987, e foi indicado de novo em 1994, por A Nação do Medo, de Christopher Menaul.

Tudo o que sabemos sobre:
Rutger Hauer

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.