MARCOS D'PAULA/AGENCIA ESTADO/AE
MARCOS D'PAULA/AGENCIA ESTADO/AE

Aos 89 anos, morre no Rio cineasta Nelson Pereira dos Santos

O artista foi nome-chave do Cinema Novo, ele estava internado havia uma semana

Roberta Pennafort/RIO, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2018 | 17h43

Morreu neste sábado, 21, aos 89 anos, no Rio, o cineasta Nelson Pereira dos Santos, um dos nomes fundamentais do Cinema Novo. Ele estava internado havia uma semana no Hospital Samaritano, na zona sul da cidade. Às 17 horas, a família confirmou a morte, em consequência de um câncer de fígado diagnosticado há 40 dias.

+ Nelson era um 'poeta da luz', diz presidente da Academia Brasileira de Letras

+ ANÁLISE: Nelson Pereira dos Santos colocou o povo como protagonista da história

Diretor de filmes fundamentais da história do cinema brasileiro, como Rio, 40 graus (1955) e Vidas secas (1963), ele realizou os últimos longas em 2012, os documentários musicais A música segundo Tom Jobim e A luz do Tom. Além de dirigir, era também roteirista de seus filmes.

“Ele estava ótimo, não estava doente. Foi internado com uma pneumonia, na semana passada, que cedeu. Estava lúcido, mas cansado. Morreu sem dor, uma morte tranquila, com toda a família reunida”, disse a publicitária Mila Chaseliov, sua neta.

+ Nelson Pereira dos Santos foi um dos definidores da identidade brasileira

Nelson teve quatro filhos e cinco netos. “Foi um avô muito presente. A gente tinha muitas discussões intelectuais. Foi quem me ensinou a tomar uísque, num show, aos 19 anos. Eu me senti muita adulta na hora”, contou.

O cineasta participou da formação intelectual de netos, lembrou Mila. “Eu descobri como ele era importante ainda na escola. Todo mundo que eu encontro, quando descobre que sou neta do Nelson, fala do quanto ele é incrível.”

+ Nelson fundou o cinema político no País, diz Roberto Farias

Em 2006, Nelson foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na sucessão do diplomata Sergio Corrêa da Costa. Passou a frequentar a Casa de Machado com assiduidade. Atuava na programação cultural da instituição.Nelson nasceu dia 22 de outubro de 1928, em São Paulo. Formou-se advogado em 1952. A partir dos anos 1940, trabalhou como revisor e repórter de jornais como o “Diário da Noite” e “O Tempo”, em São Paulo.

+ Caixa reúne cinco filmes restaurados de Nelson Pereira dos Santos 

Nos anos 1950, no Rio, trabalhou também no “Diário Carioca” e no “Jornal do Brasil”. Mais tarde, seria professor da Universidade Federal Fluminense, de cujo curso de graduação em cinema foi fundador.

O velório de Nelson Pereira dos Santos está marcado para segunda-feira, 23, na Academia Brasileira de Letras, no Rio, e o enterro vai ser realizado no Mausoléu dos Acadêmicos, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. 

+ Cineasta Nelson Pereira ganha novo box com os 'filmes de Paraty'

Mais conteúdo sobre:
Nelson Pereira dos Santos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.