Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Prévia da SP-Arte é marcada por negociações e boa movimentação

Antes de abrir ao público geral nesta quinta-feira,12, feira recebeu convidados e realizou primeiras vendas

Pedro Rocha, Especial para o Estado

11 Abril 2018 | 20h50

Parecia o dia mais movimentado da feira, mas, na realidade, ela mal começara. Na véspera da abertura oficial da SP-Arte 2018, numa prévia especial para convidados, realizada nesta quarta-feira, 11, mais de 4 mil pessoas já haviam passadom até o início da noite, pelo pavilhão da Bienal. A feira estará aberta ao público geral de quinta até domingo. 

Colecionadores e admiradores de arte lotaram o espaço, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, para ver, em primeira mão, obras de grandes nomes nacionais e internacionais disponíveis para venda. Na entrada, um enorme papel de parede de Roy Lichtenstein decorava o estande da Galeria Frente. “Geralmente trabalhamos com brasileiros, mas Lichtenstein foi uma oportunidade que apareceu”, justifica um dos responsáveis pela galeria, Acacio Lisboa.

A obra de Lichtenstein (R$ 450 mil), claro, foi uma das mais procuradas da galeria durante a prévia. Nenhum negócio, porém, foi concretizado ainda. Ao lado do trabalho, na entrada da Frente, estava outra obra requisitada, uma tela de Tarsila do Amaral, pintora que está em exibição, no momento, no Museum of Modern Art, em Nova York. “Por conta da exposição no MoMA, decidimos trazer a Tarsila. Tem mais gente querendo e pedindo”, relata Lisboa.

Para Ana Dale, da galeria Almeida e Dale, apesar da exposição no MoMA, o interesse dos colecionadores na obra de Tarsila não muda, continua sempre em alta. A galeria levou para a 14ª edição da SP Arte o quadro A Fazenda, de 1950, que já foi reservado. “Não temos muitas obras de Tarsila no mercado, quem tem não quer se desfazer”, diz Ana, que comemora o primeiro dia na SP- Arte. “Bons colecionadores vêm hoje.”

Outro nome forte do modernismo brasileiro, presente em várias galerias, é Alfredo Volpi, que também está sendo exposto internacionalmente, em Mônaco, além de uma mostra na Bahia. “Ele está em voga e as galerias, logicamente, se aproveitam para tentar negociar obras dele”, analisa Acacio Lisboa. 

++ SP-Arte, a feira que virou festival

Grande colecionador de Alfredo Volpi, Marcos Simon acredita que o forte interesse no pintor até hoje se dá por sua qualidade. “Volpi é, na minha opinião, o maior pintor do planeta, faz bem para a saúde”, acredita. “Se você está aborrecido, faz uma cromoterapia olhando os quadros dele.” Para a exposição no Nouveau Musée National de Monaco, Simon emprestou 12 telas. “A reação das pessoas, que nunca haviam visto, é impressionante.”

Apesar de participar da SP-Arte desde a primeira edição, o colecionador ainda tem dificuldade para escolher novas aquisições em meio a tantas opções. “Aqui tem muita coisa de qualidade, é difícil.” Ele afirma ter um jeito particular para se aproximar de novas obras. “A primeira coisa que eu vejo são as cores, e aqui no Brasil é o que não falta.”

Contemporâneo. Na última edição, em vez de Lichtenstein, a Galeria Frente escolheu um painel da dupla OSGEMEOS para seu estande. O sucesso dos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo continua ainda este ano. A galeria Fortes D'Aloia & Gabriel montou um espaço dedicado à dupla, que acumulou visitantes. Quatro quadros expostos no local já estavam vendidos ao final do dia e, segundo a galeria, o interesse era grande também em outros trabalhos da dupla. Outros estandes também exibiam obras dos irmãos.

ANÁLISE: Apostas em Bandeira e Rubem Valentim marcam feira paulista, por Antonio Gonçalves Filho

Antonio Bandeira (1922-1967) e Rubem Valentim (1922-1991) são os dois pintores de maior presença na 14.ª edição da SP-Arte. A cotação de ambos disparou. As melhores telas de Bandeira estão sendo oferecidas por preços variáveis entre R$ 5 milhões e R$ 7 milhões.

Uma boa pintura de grandes dimensões do baiano Valentim custa o equivalente a R$ 400 mil. A valorização se explica pela catalogação da obra de ambos (Bandeira terá dois catálogos e o de Valentim começa a ser organizado, antes da retrospectiva no Masp no segundo semestre). A feira cresceu e os colecionadores parecem dispostos a pagar altos preços por obras raras. A Pinakotheke colocou à venda duas pequenas esculturas de Rodin e Picasso que estavam numa coleção particular há 50 anos. São obras de dimensões liliputianas, mas não para o bolso de colecionadores neófitos (a de Picasso custa US$ 100 mil). O guache de Soulages vale quatro vezes mais que Picasso (US$ 400 mil), preço mínimo de uma tela de boa safra assinada por Mira Schendel, que prossegue disputada por colecionadores.

Os modernos brasileiros já atingiram um patamar estratosférico. Uma tela de 1964 pintada por Di Cavalcanti está sendo oferecida por R$ 16 milhões, um pouco menos que uma Tarsila do Amaral dos anos 1950 (R$ 17 milhões). Como as obras modernas icônicas não aparecem no mercado, os preços se justificam. E explicam a aposta em nomes como Valentim, que ocupa todo o estande da galeria Paulo Darzé.

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