AMANDA PEROBELLI/ESTADÃO
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SP-Arte, a feira que virou festival

Com 164 galerias do Brasil e estrangeiras, também cresceu o número de eventos no Pavilhão da Bienal

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2018 | 06h00

Já transformada em Festival Internacional de Arte de São Paulo, a SP-Arte, maior feira de arte do hemisfério, abre hoje, 11, as portas de sua 14.ª edição com a participação de 164 galerias (sendo 34 delas estrangeiras). O número é superior à edição do ano passado (159 galerias) e reflete o desenvolvimento do setor, que superou os efeitos recessivos e viu surgir novas galerias, especialmente em São Paulo e no Rio. “Brasileiro tem espírito empreendedor”, justifica a idealizadora e diretora do SP-Arte, Fernanda Feitosa, anunciando a entrada no evento de 16 novas galerias nacionais (sendo 14 da capital e duas do Rio).

As novas galerias são empreendimentos de proporções variadas, refletindo de maneira positiva o triunfo da diversidade num mercado que busca contemplar um público mais amplo, e não apenas tradicionais colecionadores. Ao lado de galerias consolidadas como a Dan, Fortes D’Aloia & Gabriel, Luisa Strina, Millan e Raquel Arnaud estão novatas como a Base e Mapa, que estreiam bem, selecionadas pelo curador italiano Jacopo Crivelli Visconti para o setor Repertório, criado no ano passado e dedicado ao resgate de artistas que foram injustamente eclipsados, caso de Loio-Pérsio (1927-2004), paulista de Tapiratiba e um dos precursores do abstracionismo informal no Brasil, representado pela Mapa.

O projeto curatorial de Visconti selecionou também artistas internacionais como o francês Christian Boltanski e o chinês Chen Zen, representados por galerias estrangeiras. Entre elas estão as renomadas David Zwirner e Marian Goodman de Nova York e a White Cube de Londres. Das estreantes na SP-Arte chama a atenção a Fragment de Moscou. Ela traz a São Paulo obras do russo Ilya Fedotov-Fedorov, jovem artista de 30 anos que estudou engenharia genética e usa seu conhecimento na área para criar obras perturbadoras.

O russo é um dos artistas selecionados do setor Solo, mostras individuais de contemporâneos organizadas pela curadora Luiza Teixeira de Freitas. São 16 projetos selecionados, destacando-se nomes como os do suíço Dieter Roth (1930-1988), um pioneiro na produção de livros de artista e da arte biodegradável, e da chilena Lotty Rosenfeld, conhecida por suas intervenções artísticas no espaço urbano.

As performances conquistaram um espaço próprio e foram agrupadas por uma curadora, Paula Garcia, que colaborou com o Instituto Marina Abramovic. Entre os performers estão Paul Setúbal, Karlla Girotto, Gabriel Vidolin e a dupla Protovolia, formada por Jessica Goes e Rafael Abdalla.

A idealizadora do festival, Fernanda Feitosa, destaca ainda a inserção de novos designers brasileiros no setor dedicado à área na feira, que tem 33 expositores no terceiro andar do pavilhão da Bienal. “Mas também temos este ano móveis surrealistas desenhados por Gaudí e Dalí”, ambos representados pela estreante Micasa. A atenção dada ao design confirma a valorização do design nacional em feiras internacionais como a de Maastricht, na Holanda, que, na última edição, em março, vendeu peças raras do baiano Zanine Caldas. “O mobiliário brasileiro já é reconhecido em todo o mundo”, festeja Feitosa.

Para discutir temas como colecionismo, a SP-Arte convidou colecionadores estrangeiros como a americana Betty Duker e a sul-africana Pulane Kingston, que serão entrevistadas na série Talks. Aproximadamente 80 colecionadores estrangeiros e 17 jornalistas foram convidados para o festival, que vai até o dia 15.

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