Thiago Mattos
Thiago Mattos

Artistas brasileiros reúnem-se em Nova York para apoiar protesto contra censura no Brasil

Grupo promoveu debate sobre ameaça à liberdade de expressão e empunhou cartazes com dizeres como “Censura Nunca Mais”

Thiago Mattos, ESPECIAL PARA O ESTADO

20 de outubro de 2017 | 16h13

NOVA YORK – Um grupo de artistas brasileiros que vive em Nova York está engrossando o coro da luta contra a censura que voltou a ameaçar a produção artística do País. Nesta quinta-feira, 19, dezenas de artistas, curadores e profissionais da arte se reuniram no estúdio da artista plástica Janaina Tschape, no Brooklyn, para apoiar o protesto em favor da liberdade de expressão que acontecia paralelamente no Masp. O museu inaugura nesta sexta-feira, 20, a exposição “História da Sexualidade” criando mais uma polêmica ao proibir a entrada de menores de 18 anos, mesmo que acompanhados dos pais.

 

“Queremos que os artistas criem frentes de resistência onde estiverem, e por isso estamos reunindo apoio para que esta luta contra a intolerância aconteça internacionalmente”, afirmou o artista plástico Gustavo Prado, que mora há seis anos em Nova York. Para ele, os recentes ataques à arte representam a agenda conservadora de um grupo que pretende marcar presença na arena política brasileira ameaçando a democracia. “Se a censura hoje chega a uma performance, amanhã pode chegar a uma novela. Todos os envolvidos no meio da arte têm o papel de resguardar a memória e o legado de luta pela defesa da liberdade que acompanha a história da arte no Brasil.”

+ Queermuseu: a liberdade de expressão e os limites da razão e da sensibilidade

 

Durante o encontro, os artistas e profissionais da arte seguravam cartazes com dizeres como “Censura Nunca Mais” e “Amor à Arte/ Amor ao Próximo”. No evento, houve debate de estratégias de envolvimento e esclarecimento do público, e alguns relembraram o histórico de perseguições a artistas brasileiros, desde o modernista Flávio de Carvalho, que quase foi linchado em São Paulo por conta de uma performance nos anos 1930.

 

Entre os presentes no evento, estava o artista visual Marcos Chaves, que participou da exposição Queermuseu, censurada em Porto Alegre e vetada no Rio de Janeiro.

 

“O caminho está aberto para aproveitarmos este momento como uma coisa boa para repensarmos a arte brasileira. É importante relacionar essa polêmica com o fato de que cerca de 90% dos brasileiros não frequentam museus”, afirmou Chaves, que em sua obra “Ecléticos” maquiou anjos e estátuas religiosas como travestis. 

+ Exposição brasileira Queermuseu projetada em NY

“Nosso papel é não deixar este debate terminar. Os representantes brasileiros da arte e da cultura que já possuem uma visibilidade internacional têm condições de influenciar grandes instituições culturais neste momento crucial de luta contra a censura que acontece não só no Brasil, mas também em outras partes do mundo”, disse o conselheiro internacional da mostra Queermuseu e director executivo do Grupo Prisa Marcus Vinicius Ribeiro.

 

Trabalhando entre o Rio de Janeiro e Nova York, o artista plástico Raul Mourão falou sobre a importância e simbologia do evento acontecer dentro de um ateliê. “Optamos por fazer este encontro aqui em um lugar de produção de arte pois este é um momento em que a classe artística precisa de mobilizar, trazendo para as questões da arte pessoas que normalmente estão distantes.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.