Morre o produtor musical André Midani
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Morre o produtor musical André Midani

Midani foi um dos mais importantes produtores da indústria musical brasileira, especialmente entre os anos 1960 e 1990

Ubiratan Brasil

14 de junho de 2019 | 09h02

O produtor cultural André Midani morreu na noite de quinta-feira, 13, no Rio de Janeiro, aos 86 anos. Ele estava internado na Casa de Saúde São Vicente, no bairro da Gávea, para tratamento de um câncer.

Midani. Produtor impulsionou carreira de diversos artistas. Foto Fábio Motta/Estadão – 26/8/2014

Midani foi um dos mais importantes produtores da indústria musical brasileira, especialmente entre os anos 1960 e 1990. Ele participou da divulgação e repercussão da bossa nova no final dos anos 1950, quando trabalhava na então gravadora Phillips. Também ajudou a consolidar o talento da geração tropicalista, na década de 1970.

Naquela época, a Phillips reunia uma verdadeira constelação de artistas brasileiros como Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão, Gilberto Gil, Mutantes, Erasmo Carlos, Raul Seixas, Jorge Ben, entre outros.

Nascido em 1932 na Síria, Midani foi criado na França. Em 1955, por conta da Guerra da Argélia, emigrou para a América do Sul e escolheu o Rio de Janeiro como sua nova casa. Com charme e apetite por música, logo conseguiu um cargo na gravadora Odeon, onde lançou o selo Capitol Records e entrou em contato com grandes estrelas da nascente bossa nova.

Depois de um período no México, onde lançou o rei do bolero Lucho Gatica, voltou ao Brasil já à frente da Philips, com um prazo de três anos para reerguer a empresa. O que ele fez, ao produzir nomes como Elis Regina, Caetano Veloso e Gilberto Gil, popularizando a MPB.

Em 1976, foi convidado a montar a Warner no Brasil, e levou com ele alguns dos nomes com quem trabalhava anteriormente, mas sua grande jogada nessa companhia foi o lançamento do pop rock brasileiro dos anos 1980. Kid Abelha, Lulu Santos, Titãs, Ultraje a Rigor e Ira! são alguns dos artistas que ele produziu e gerenciou na gravadora.

Foi presidente da Warner na América Latina, via Estados Unidos, e voltou ao Brasil definitivamente em 2002. Em 2008, lançou o livro de memórias Música, ídolos e poder: do vinil ao download, obra que teve de reeditar em 2015 para retirar menções a um produtor que ameaçou processá-lo. Nesse mesmo ano, virou série de TV, com direção de Mini Kerti e Andrucha Waddington.

Seu último disco foi De Bem Com A Vida, de Martinho da Vila, em 2016, e mais recentemente estava envolvido na produção e organização de um espaço cultural sobre a bossa nova no Rio de Janeiro, ainda a ser aberto.

“O meu papel era o de um administrador que tinha de cuidar da grana, da fabricação e do talento dos diretores artísticos para que eles achassem artistas”, disse Midani em entrevista ao Estado, publicada em janeiro de 2015. “E eu participava disso de muito perto porque achava que o que dava valor à companhia era o artista. Tenho que desfazer uma voz corrente: eu não descobri ninguém. Caetano já estava lá, Gil já estava lá, Elis já estava lá, Jair já estava lá. O que eu fiz foi constatar que a companhia não estava organizada e equipada para vender a música que ela gostaria de vender.”

Então com 82 anos, Midani falava francamente e fazia “ajustes históricos”, como esse. Mas disse nunca ter se sentido injustiçado. “Nunca senti injustiça. Esse é um sentimento que jamais deve habitar um ser humano. No dia em que você se sentir um injustiçado, será o seu fim”, afirmou.

Conhecido por seu relacionamento próximo com artistas, tinha fama de conciliador. André Midani deixa dois filhos, além de um legado histórico para a música brasileira.

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