Encontro Campestre de Violas prepara sua terceira edição

Encontro Campestre de Violas prepara sua terceira edição

João Luiz Sampaio

05 de dezembro de 2019 | 12h47

Em maio de 2018, enquanto preparava uma matéria para o Caderno 2, conversei com os violistas Pedro Visockas e Gabriel Marin, que me falavam da experiência do I Encontro Campestre de Violas, no interior de São Paulo, que eles haviam criado ao lado de Renato Bandel, Alexandre Razera e Roberta Marcinkowski (a primeira edição ocorrera em janeiro daquele ano).

“A convivência entre os professores, alunos e palestrantes em tempo integral provocou um tipo de interação interessante. Nossa proposta vem ao encontro de uma reflexão bastante atual no cenário da música de concerto, que é o que podemos fazer para aproximar as plateias e despertar um interesse legítimo naquilo que fazemos. No encontro, todos se sentiram contagiados por algo muito importante nesse processo, que era atmosfera de alegria em aprender, ensinar e tocar”, disseram.

A matéria tinha como tema a presença cada vez maior no cenário brasileiro de projetos não ligados diretamente a nenhuma instituição musical que se responsabilize por conceito, captação, produção e assim por diante. São projetos tocados pelos próprios músicos. E o orçamento, na maior parte dos casos, vem de campanhas de crowfunding, ou seja, da crença de que o meio musical e o público podem ajudar a bancar projetos nos quais acreditam.

No caso do Encontro Campestre de Violas, que se prepara para realizar em janeiro sua terceira edição, a programação propõe que “alunos e professores estejam num mesmo ambiente – um lugar afastado do centro, sem o ritmo intenso e frenético das cidades, longe de trânsito e agitações dos centros urbanos”. O diferencial é o foco em um único instrumento – a viola, com aulas diárias, cada dia com um professor. “Os músicos poderão assistir às aulas dos colegas, formar grupos de música de câmara, haverá palestras e conversas sobre o repertório, consciência corporal e claro, momentos de lazer”, disse Visockas ao definir o conceito do encontro.

Há um aspecto interessante por trás de projetos como esses. Eles reforçam a noção de que, mesmo à margem das principais instituições (e não contra elas, que fique claro), podem existir iniciativas que enriqueçam de acordo com suas possibilidades o ecossistema da música brasileira, propondo novas formas de compreensão da música e da atividade do artista.

Isso torna o ambiente musical mais amplo, mais diversificado, menos centralizado – o que  é particularmente importante na formação de jovens artistas, a quem vai caber a construção do futuro do meio musical.

Para quem quiser colaborar com a realização do III Encontro Campestre de Violas, o caminho é este.

 

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