Saída dos clubes no Brasil ‘é o mercado’, diz consultor

Sonia Racy

28 Junho 2018 | 00h50

 

Ao levantar novas ideias para o futebol, em entrevista a esta coluna semana passada, o historiador Flávio de Campos suscitou reações. Rodrigo Monteiro de Castro, especialista em direito comercial, por exemplo, comentou a proposta de se taxar os clubes quando venderem seus talentos para o exterior: “ Tributar essas transferências seria o mesmo que matar o futebol brasileiro”.
O advogado lembra que, se isso fosse feito, é praticamente certo que os compradores iriam atrás de craques africanos, argentinos, colombianos etc. E acrescenta: “Além do mais, o País estaria interferindo na liberdade dos meninos que têm o sonho de jogar lá fora”.
Castro começou a se interessar por governança do futebol quando participou, com José Francisco Manssur, da reformulação do estatuto do São Paulo FC. Agora, a dupla está para lançar um terceiro livro sobre o assunto. Eles defendem também um modelo de empresa para os clubes. A seguir, trechos da conversa.
Qual seria,  seu ver, a opção ao atual modelo dos clubes?  

A criação de uma empresa de Sociedade Anônima do Futebol. No nosso desenho, criaríamos instrumentos de financiamento regulados pela CVM. Sugerimos uma nova tributação, dentro de um ambiente especial de governança que seria garantido pela B3. Também propusemos sistema para estimular crianças, sobretudo de escola pública. Ao frequentar aulas, elas seriam liberadas para poder treinar em times.

Mas elas dependeria de frequência escolar?

Sim. As crianças teriam que estar matriculadas, ter assiduidade e boas notas. Essas novas empresas formadas a partir dos atuais clubes assinariam convênio com as escolas e a nova empresa estaria apta a receber benefício tributário.

Já estão tentando emplacar o modelo no São Paulo?

O São Paulo reformulou o estatuto e tentamos, na parte da governança, trazer parte do projeto da SAF. Na nossa proposta, o São Paulo precisa determinar, no prazo de um ano, se há viabilidade de separar o futebol da estrutura social do clube. Essa separação é necessária para a criação da SAF, que estaria dissociadas das atividades sociais do clube.

Qual o principal problema dos clubes?  
Hoje, as associações civis sem fins lucrativos, que são os clubes, não têm como se financiar. E aí , o que acontece? Dependem de direitos de transmissão e negociação de jogadores. / PAULA REVERBEL