‘Brasil e Argentina estão interligados’, diz CEO da Volkswagen na AL

‘Brasil e Argentina estão interligados’, diz CEO da Volkswagen na AL

Sonia Racy

02 Novembro 2018 | 00h55

PABLO DI SI. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

PABLO DI SI. FOTO: WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Na semana em que Paulo Guedes falou sobre a desimportância do Mercosul – há anos que economistas dizem isso, lembrando que o mercado só será importante quando houver um união aduaneira – a coluna conversou com Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen América Latina. As exportações do setor automotivo para a América Latina em geral, e Argentina em especial, são significativas. E sempre motivo de disputa entre os dois países. “Brasil e Argentina estão muito ligados e a cadeia se complementa bem. Então, independentemente de Brasil e Argentina terem o Mercosul como foco, essa cadeia funciona e está cada vez mais integrada”. Aqui vão trechos da conversa.

Acordo bilateral entre Brasil e Argentina também funcionaria sem estarmos atrelados ao Mercosul?
Em geral, o comércio aberto é positivo. Hoje temos grande competição do mundo inteiro e para você conquistar alguns mercados fora da América Latina fica mais complicado.

Qual o peso das exportações para a VW Brasil?
Somos o maior exportador histórico da indústria automobilística aqui no Brasil. Vendemos entre 150 e 180 mil carros por ano para toda a América Latina. Mais de 60% dos nossos motores, produzidos na fábrica de São Paulo, são exportados para Alemanha, México, e também Argentina.

A falta de uma união aduaneira, de um processo fiscal equilibrado, diminui a eficácia do bloco?
Tem as coisas positivas, as normas de segurança de emissões. E Brasil e Argentina fizeram, no mês passado, acordo para unificar essas normas. Entretanto, não houve avanço nas partes fiscal e logística.

Vocês pretendem levar isso para o novo governo?
Na parte dos portos, já houve melhora.

Em outra declaração, o futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes disse que quem faz lobby no Pais consegue benefícios e quem não faz vai para o Refis. A fama da indústria automotiva é a de ter forte lobby. O que o senhor acha disso?
Na minha opinião, os benefícios e subsídios nesses países, como Brasil ou Argentina, acontecem por causa do sistema tributário. O que a indústria brasileira pleiteia, de uma maneira geral, não é benefício. E sim estabelecer igualdade de condições para poder concorrer com outros países.

Quanto paga de imposto um carro no Brasil?
Entre 55% a 56%. Na Argentina, parecido. Nos EUA… está entre 8% e 12%.

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