WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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Xuxa: "Queria errar menos nesse programa da Record"

Apresentadora estreia segunda-feira, 17, na Record, com liberdade que já não tinha na Globo. Só não pode falar de religião

Entrevista com

Xuxa

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2015 | 03h00

RIO - Como poucos novatos topariam fazer, Xuxa Meneghel, 52 anos feitos, dona de título de rainha na TV, coisa e tal, encarou uma maratona de cerca de quatro horas de entrevistas nessa terça. Entre uma coletiva e algumas individuais, deu ainda um alô personalizado para cada microfone de emissora afiliada da TV Record que compareceu ao Recnov, complexo de estúdios onde ela gravará seu programa. Ali ficavam os Estúdios Renato Aragão que ela bem frequentou nos idos de longas-metragens para a Globo, onde esteve por quase 30 anos – “tô me sentindo em casa”, disse. 

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Ao Estado, Xuxa falou de seu figurino, à Ellen DeGeneres, que inspira o novo programa e disse que não quer errar. A possibilidade de fazer muita coisa do que ela já não conseguia praticar na Globo incentivou a troca de canal. Na Record, só não poderá falar de religião. O Programa da Xuxa estreia na próxima segunda, dia 17, às 22h30, ao vivo, coisa que ela ainda vai aprender a fazer.

Em que momento você percebeu que tinha de sair daquela zona de conforto na Globo?

Acho que foi no momento em que eu queria tentar fazer as coisas e me diziam: ‘isso é jornalismo, você não pode fazer’. Aí eu ia fazer assistencialismo, também não podia. Eu ia chamar fulano de tal, ‘ah, não vai dar porque ele vai estar no programa do ciclano no outro dia’, ou então em outro programa já gravado. Ou era o Luciano (Huck), ou era a Angélica, enfim qualquer um. Falei: ‘gente, o que está sobrando para eu fazer?’. Eu não podia levar criança porque criança não é mais permitido na TV, eles acham que o fato de uma criança estar perto de mim dá a ideia de que estou incentivando a criança a consumir meus produtos. A minha imagem é muito ligada a produtos comerciais. É como se eu fosse um ‘merchan’ indireto.

Você se sente assim?

É como eles me chamam. Estou sempre induzindo a criança ao consumo. As leis mudaram. Nos últimos tempos, eu não podia mais pegar um produto meu, era uma assistente de palco que pegava.

O que você está fazendo agora que não fazia na Globo?

Foi bom você perguntar isso porque falei isso uma vez e muita gente, até os meus fãs, acharam que eu estava falando mal da Globo, o que me deixa muito irritada. A princípio, fiz tudo o que queria lá. A Globo foi como uma mãe para mim: me podou em algumas coisas e me deu muitas outras. E ninguém gosta que falem mal da mãe, né? Eu aqui estou fazendo tudo o que quero. Só uma coisa é que não posso fazer e vou dizer qual é: não posso falar de religião. 

Isso lhe foi dito textualmente?

Foi. É porque se eu falo de evangélico, vão dizer que é porque é evangélico, se falo de católico, é porque é católico. Achamos que era melhor não tocar no assunto.

E você vai ocupar as noites de segunda-feira, horário que era da Hebe. Pensou nisso?

Pois é, o programa chegou a ser pensado para outros horários e acabou ficando segunda à noite. Quando me dei conta, sei que não posso falar de religião, mas isso foi uma bênção (risos). É como se a Hebe estivesse dizendo ‘gracinha, vai ser legal’. Eu dizia para Hebe: ‘quando eu crescer, quero ser igual a você’. E ela disse: ‘você já é e não sabe’. Fico com pena de não ter visto tanto mais a Hebe para ter aprendido, eu nunca vou chegar na pontinha da unha do pé dela, mas estar na segunda à noite já é uma sombrinha dela. Estou me sentindo livre para viver, para respirar. O cenário está da cor que eu quero, a música é o que eu quero, a roupa... Isso, para qualquer profissional, é fascinante, ter um novo recomeço. Estou me sentindo uma criança. 

Se pudesse reeditar sua vida, como num filme, o que mudaria?

Se eu pudesse falar menos e acreditar menos nas pessoas, seria melhor. Eu sofreria menos, mas até isso faz parte. Eu não reeditaria nada, senão, como eu teria aprendido o que aprendi e chegado até aqui?

Quer mencionar alguém?

Não, não merece.

O que falta conquistar?

Financeiramente, acredito que não, mas das coisas que só o tempo pode dar, quero ainda ver, quero sentir que a minha filha está muito bem encaminhada nos estudos, se formando, só o tempo para poder me mostrar. Quero estar presente e ajudar no que eu puder. E uma coisa que todo mundo sabe, se eu pudesse ter a saúde da minha mãe recuperada, não depende de dinheiro. E queria errar menos nesse programa. Não quero decepcionar essa casa. Eles estão acreditando muito em mim. Não quero errar, não posso errar, quero dar o melhor. Eu queria que eles tivessem certeza de que não estão errando na escolha deles, porque sei que eu não errei na minha.


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