Reprodução YouTube
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Websérie 'queer' quer quebrar tabus na Colômbia

A produção de 'Selección Natural' usou o cinema policial como fórmula para mergulhar em conceitos complexos como o cinismo ético, a dupla moral - especialmente na política - e a homofobia e a transfobia

Gonzalo Domínguez Loeda, EFE

15 de novembro de 2017 | 13h29

Selección Natural não é só o primeiro grande projeto de websérie na Colômbia, mas uma produção audiovisual que quer quebrar tabus, ao romper com o discurso tradicional da televisão no país, oferecer qualidade cinematográfica na rede e debater a homofobia.

"Somos os novos do panorama, é a primeira grande produção que assumimos juntos, e decidimos inovar em muitas coisas", disse à Agência Efe o produtor geral, Pedro Luis Mendoza.

A série tem o selo da Helena Films, uma produtora audiovisual que pretende manter uma característica multidisciplinar, embora foque na concepção, no desenvolvimento e na realização de experiências através da linguagem audiovisual, digital e interativa.

O grupo de amigos que iniciou a websérie se conheceu enquanto estudava cinema na Universidade Nacional da Colômbia, instituição da qual saíram algumas das grandes pérolas da sétima arte no país, como Ciro Guerra, autor de O Abraço da Serpente.

A Helena Films, em cujo canal do YouTube o trabalho pode ser visto, aposta no talento jovem e formou um grupo de trabalho "comprometido e que assume o risco" de se movimentar por uma causa, como aconteceu em Selección Natural.

Nesta primeira grande aposta, a produção usou o cinema policial como fórmula para mergulhar em conceitos complexos como o cinismo ético, a dupla moral - especialmente na política - e a homofobia e a transfobia.

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O ponto de partida é o misterioso assassinato de uma drag queen, Madorilyn Crawford. O crime desperta uma discussão na sociedade, a começar pelo próprio promotor do caso.

"Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência", disse Mendoza, com um sorriso nos lábios.

"Esperamos gerar polêmica. há conteúdos em redes sociais de gente em problemas com política, Deus ou a família. A série não é só feita para quem possa estar de acordo, mas para quem não esteja, quem é conservador, transfóbico, homofóbico e acredita na família tradicional", acrescentou.

Por isso, ele afirma que espera "iniciar um debate profundo" que acredita que ocorrerá de maneira orgânica.

A série, que tem um novo capítulo a cada terça-feira, deveria parecer uma quimera no início em um país no qual obter financiamento para um produto audiovisual de qualidade é quase impossível.

Graças ao compromisso do grupo e ao trabalho constante, foi possível enxugar o orçamento por episódio a US$ 20 mil, aproximadamente metade do que custa à indústria local em média.

Para Mendoza, "seria impossível" uma televisão colombiana embarcar em um projeto como "Selección Natural", já que "seus conteúdos têm outro enfoque", e a série, com capítulos de dez minutos em sua primeira temporada, "não é para crianças".

"Tem um ponto de vista e põe o dedo na ferida. Digamos que esse é o objetivo, incomodar não por incomodar, mas por dizer algo. Parte da aposta era isso: não queríamos uma história fácil, mas apostar em algo diferente", explicou.

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