Websérie da Cia. Barbixas de Humor ironiza as promessas eleitorais

Com dez episódios, grupo estreia ‘Campanha Política’ nesta terça-feira, 5, na web

Gabriel Perline, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2014 | 02h00

Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Este é o aviso que a Cia. Barbixas de Humor antecipam ao introduzir os candidatos Ricardo Reis e Álvaro Campos numa fictícia disputa pela presidência do Brasil na série Campanha Política. Transmitida pelo canal oficial do grupo no YouTube, a produção lista dez episódios, lançados todas as terças, sempre às 11h.

“Em nenhum momento pensamos em vender o projeto para uma emissora”, disse Anderson Bizzocchi ao Estado. “E é um assunto delicado, que certamente não teríamos o apoio de ninguém para colocar no ar. Somos os investidores, produtores executivos e executores. Como temos nosso canal na web, pensamos a série diretamente para ele.”

Tais ‘coincidências’ começam na escolha da data da estreia, duas semanas antes da exibição da campanha eleitoral gratuita na TV, e se estendem pelos perfis dos personagens. Ricardo Reis é o candidato da situação e a cor de seu partido é vermelha. “Mas não tem nenhuma estrela no logotipo”, brincou Elidio Sanna, intérprete do personagem. Seu principal rival é Álvaro Campos (Anderson Bizzocchi), representado pelo azul. As legendas são 66 e 99, respectivamente. “São números diferentes e iguais ao mesmo tempo. Vistos sob outra perspectiva, são exatamente a mesma coisa”, explicou Sanna.

Os nomes também não foram escolhidos por casualidade. Heterônimos do poeta Fernando Pessoa, Ricardo Reis e Álvaro Campos servem como máscara para os candidatos, que mudam seus perfis em época eleitoral. “Tiramos o ‘de’ do Álvaro Campos por conta do jingle que fizemos. A musicalidade não ficou boa quando cantávamos ‘Álvaro de Campos’ e resolvemos adaptar”, contou Elidio.

Sem pegar no pé dos presidenciáveis da vida real, o grupo deixou de lado as críticas aos escândalos ligados a cada nome e se pautou na mesmice das promessas e discursos apresentados no período eleitoral. “Hoje existe uma fórmula para criar um político e transformá-lo em um mito, alguém adorado pelo povo. Estudamos suas ações e, modéstia a parte, fizemos o melhor possível. Vamos mostrar que todos os candidatos seguem a mesma fórmula, com discursos, ações, edições e enquadramentos completamente similares”, disse Bizzocchi.

A ideia da série surgiu em 2010, no período que antecedeu as eleições, mas não foi viabilizada e o projeto acabou engavetado. “O roteiro estava praticamente pronto e fizemos adaptações para as eleições de 2012, mas não deram certo. O curioso é que tivemos pouco trabalho na atualização do texto”, relatou Anderson.

Ao longo dos episódios, serão apresentados os planos de governo, jingles, participações em programas fictícios de TV, além de encontros com os possíveis eleitores em passeios pelas ruas de São Paulo. Daniel Nascimento, terceiro integrante do grupo, terá diversos personagens, inclusive o de mediador do debate reservado para o capítulo final, a ser gravado no dia 22 de agosto no Teatro Polytheama, em Jundiaí. “Além do Álvaro e do Ricardo, candidatos de partidos menores também aparecerão para tumultuar a disputa”, antecipou o ator.

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