RODRIGO CARVALHO/DIVULGAÇÃO
RODRIGO CARVALHO/DIVULGAÇÃO

'Vizinhos' faz paralelo de gerações opostas

Nova série do GNT mostra casal em crise que se relaciona com jovens

João Fernando, O Estado de S. Paulo

02 Abril 2015 | 17h11

Um casal começa uma discussão aos berros na varanda, mas ninguém olha. A atitude chamaria atenção se as pessoas ao redor não fossem a equipe da Bossa Nova Films, que produz Vizinhos. Gravada em duas casas em uma rua tranquila do Alto da Lapa, em São Paulo, a série, prevista para estrear no GNT em maio, mostra o dia a dia de dois cinquentões, vividos por Marcello Airoldi e Bianca Byington, que vivem a síndrome do ninho vazio, quando os filhos vão embora.

Tudo muda quando um grupo de jovens aluga o imóvel que eles têm ao lado. Mexido com a presença dos estudantes, o casal propõe ficar com a casa menor para ceder a grande. “É uma geração que está entre os 45 e 50 anos e vive o ninho vazio. Junto vêm questões como ‘O que vamos fazer agora? Para onde vamos?’ É um momento da vida em que você se pergunta muita coisa”, analisa Luiz Villaça, que criou a série e divide a direção com Maria Farkas.

O diretor quis fazer um paralelo das gerações. “Na república de moleques com 20 anos, eles fazem as mesmas perguntas. Existe uma comunhão de questionamento de cada um, dentro da sua maturidade e geração. Sempre tive vontade de fazer uma série que falasse da geração de 20 anos”, revela ele, com 49. O artista diz se lembrar o que desejava na juventude. “Sabia que queria fazer um longa na minha vida. Aí, fiz um cálculo que, se juntasse 10% do que ganhava na época, com 57 conseguiria”, relembra ele, que lançará em breve De Onde Te Vejo.

Os cinco jovens que desenvolverão uma relação com o casal têm perfis distintos. Eduardo (Bernardo Bibancos) e Rodrigo (Francisco Miguez) são amigos de longa data que saem de Santos para estudar em São Paulo. Um é dedicado aos estudos e a enriquecer, enquanto o outro só quer saber de se divertir. Julia (Samya Pascotto) é uma aspirante a atriz que vê o reinado na casa ruir com a chegada de Marina (Gabriela Rocha) “meio libertária” na definição do diretor. Bissexual, ela sai de casa por não ser aceita. Quem chega por último é Rafael (Giovanni Gallo), um menino solto ligado aos coletivos de arte urbana.

Para criar intimidade, os cinco receberam a ordem de passar uma semana juntos antes de gravar. “Conversamos sobre tudo, tomamos umas, jogamos truco. Todo mundo virou brother nos testes”, conta Giovanni. “Toda vez que a gente saía dos ensaios, rolava uma brejinha”, completa Francisco.

Ao conversar com o Estado, os cinco deram respostas iguais ao mesmo tempo. Com idades entre 18 e 22, os jovens afirmam não haver hoje muitas séries que retratem sua geração. “Acho que Girls é uma referência, apesar de ser um universo feminino. Há Skins (2007-2013), mas é muito britânico”, palpita Samya. “Acho a Marina bem real”, defende Gabriela, ao falar da sexualidade indefinida de sua personagem.

O grupo dá diferentes definições para o que acreditam ser o retrato de seus contemporâneos. “É uma geração da internet, com muita informação, com milhares de possibilidades”, aponta Bernardo. “Isso faz as pessoas se perderem”, acredita Samya.

Marcello Airoldi observa que a internet mexeu com os mais jovens. “A relação com a rede social é diferente. Vivemos a solidão de outro jeito. Isso te aproxima do resto do mundo e te distancia de quem você tem uma relação. Você não cumprimenta o amigo do Facebook na rua porque não sabe quem é”, analisa o ator, que compara ainda a sedução. “Na minha época, a gente cantava a menina. Hoje, o olho no olho está difícil.” 

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