Estevam Avellar
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Vivianne Pasmanter fala do sucesso de sua Germana, de 'Novo Mundo'

Atriz explica o processo de transformação na personagem

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 04h00

Desde a aparição de sua personagem na novela Novo Mundo, que estreou em 22 de março, no horário das 18h, na Globo, Vivianne Pasmanter tem conquistado um público cada vez maior e de forma inesperada, principalmente por interpretar uma mulher sem atrativos, com modos grosseiros, de visual um tanto rústico, feia mesmo e muito mal-educada. “É uma grata surpresa, ainda mais que acabou conquistando as crianças, que estão gostando muito dela. Filhos pequenos de amigas minhas adoram a Germana, a gente brinca que ela é a Cuca, do Sítio do Picapau Amarelo”, diverte-se a atriz. 

Na história, Germana é casada com Licurgo (Guilherme Piva). Os dois são donos da Estalagem e Taberna dos Portos, ou como todos a conhecem, Estalagem e Taberna dos Porcos, graças à péssima higiene do local. Ali, o casal hospeda os viajantes que chegam ao Rio de Janeiro, tipo uma pensão, mas eles não são lá muito afeitos a bons costumes. Costumam misturar água no vinho ou criar cardápios, como servir pombo como sendo frango a passarinho.

Para moldar a personagem, ela conta que “foi um trabalho muito a quatro mãos, primeiro o texto, tinha uma Germana ali que era muito engraçada, foi quando o Vinícius Coimbra me chamou para fazer. Eu li, gostei da personagem e embarquei nessa. Ele disse: ‘quero que você vá para um lugar que você nunca foi, que ninguém reconheça a Vivianne que estão acostumados a ver’”, conta. 

“A Germana que a gente acabou criando não é minha, foi uma coisa muito nossa. Eu e ele (o diretor) ali nos ensaios, criando a cada dia uma coisa diferente. A gente ensaiou uns dez dias e, ao mesmo tempo que ensaiava, ia criando a caracterização dela, como ela vai ser, loira, morena”, explica Vivianne sobre os detalhes da montagem da Germana, que, no decorrer dos dias, foi ganhando mais características que enfatizam sua personalidade. “Essa coisa de ser descendente de índio foi uma ideia minha, mas tem outros detalhes que foram surgindo, como um olho preto e outro claro, a pele de índio, cabelo de índio. E tem essa cruz queimada que ela tem no ombro. Primeiro eu disse para o Vinícius que queria usar um colar de cruz e ele disse não: ‘fica muito enfeitada, vamos fazer uma cruz queimada no ombro’. Achei o máximo”, diz. 

Mas a ideia do diretor era fazer com que a personagem fosse mesmo muito diferente do que é Vivianne. “Um dia, a gente estava ensaiando. Ele (Vinícius) disse que ainda estava muito bonita, então pediu para eu colocar um amendoim na boca e ele adorou, riu muito e mandou fazer uma prótese. Aí ela virou prognata, com esse queixo para frente. Cada dia a gente ia botando uma coisa nova. Um dia, ele falou: ‘já sei, bota uma pinta no rosto e veio a pinta’. Depois, vieram os dentes, que foram difíceis, pois ficavam saindo toda hora, mas aí pedi ajuda para o meu dentista e ele me deu um verniz de flúor, que criança usa. Eu passo todo dia e depois coloco uma sombra em cima para grudar bem e fica com aquele aspecto nojento, com dois dentes estragados, que são cinzas, e os outros amarelados, sujos. Fora o cabelo, que tem de ter muita glicerina para ficar aquela coisa melecada”, explica Vivianne.

Em meio à diversão que é interpretar Germana, Vivianne fala de como é montar essa personagem. “Em casa, eu já pinto o corpo, pois percebi que ganho um tempo grande, tomo banho de manhã e passo maquiagem no braços e pernas. Quando chego ao set, faço a maquiagem do rosto e, enquanto isso, tem uma maquiadora fazendo a cruz, que é uma prótese que a gente coloca para dar aquele aspecto de queloide, colocada nas costas e alguém vai maquiando as costas, que eu não alcanço. Enquanto estão fazendo o cabelo, que é mais demorado, pois tem de colocar os apliques, e vou fazendo os dentes e, por fim, eu me sujo, tudo completado na hora da gravação, tem gente sempre borrifando para dar aquele aspecto de suor.”

Mas essa não é a parte mais complicada e demorada: vem então a desmontagem da personagem. “Vou te dizer que ficar bonita dá muito mais trabalho, é muito mais chato, é mais pressão. Germana não tem pressão, minha maquiagem é muito bruta, não é aquela coisa delicadinha, muito precisa, é uma massa, de qualquer jeito, não precisa ter aquele delineadorzinho, a sombrinha esfumaçada, um pouquinho mais um pouquinho menos. Vai ver o pessoal se maquiando para ficar bonita na novela, leva um tempão. A maquiagem da Germana é bem mais rápida, agora para tirar dá muito trabalho, leva uma hora. Tem de tirar a maquiagem do rosto, do corpo, do dente, que é na unha, para retirar é complicado e sempre sobra um pouco. O trabalho é com bucha, esfrega esfrega esfrega”, diverte-se a atriz, contando sua saga com sua personagem. 

Depois de tanto trabalho na criação e montagem da personagem, Vivianne comemora o sucesso que vem alcançando. “É uma surpresa essa repercussão que está tendo e o bom disso é a aceitação do público, pois eram personagens que iam por um caminhos meio arriscados. Podia ter sido feito de maneira mais realista um pouco, e para essa região para onde o Vinícius levou a gente é bem mais arriscada, podia acontecer de o público não aceitar, até porque essa coisa tão nojenta podia funcionar ao contrário.”

A atriz afirma ainda que o fato de ter essa boa aceitação permitiu que eles continuassem criando e brincando, sem precisar mudar. “A opinião do público nos dá muita liberdade e é muito gratificante saber que as pessoas gostam do trabalho”, comemora.

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