Alex Carvalho/Divulgação
Alex Carvalho/Divulgação

Vitrine de luxo

Em tempos de semana de moda, o destaque é ainda maior para os looks desfilados nas novelas

Patrícia Villalba, O Estado de S. Paulo

22 de janeiro de 2011 | 16h00

Há uma responsabilidade maior em criar o figurino de uma novela que se passa no mundo da moda, e foi desafio suficiente para fazer tremer nas bases a experiente Marília Carneiro, quando foi chamada pelo diretor Jorge Fernando para trabalhar no remake Ti-Ti-Ti. "Precisamos ter a maior seriedade, porque está todo mundo de olho, ainda mais agora na época das semanas de moda. Não seria dar satisfações só ao público de novela, mas também ao mundo da moda, explica ela, que recebeu o Estado na sala do ateliê de figurinos da novela, no Projac. "Eu pensava: ‘Gente, agradar ao público sei, mas será que vou conseguir agradar a esse público especializado?’ Acho que agradei, né?"

Já seria trabalho suficiente estampar a personalidade de gente elegante como Susana (Malu Mader), Stela (Mila Moreira) e Luísa (Guilhermina Guinle) nas roupas de cena. Mas, além disso, a equipe de Marília tem de criar a obra cheia de personalidade dos ruidosos estilistas da trama de Maria Adelaide Amaral. No começo da novela, eram Victor Valentim (Murilo Benício) e Jacques Leclair (Alexandre Borges) mas, agora, Jaqueline (Cláudia Raia) também deu para montar seus desfiles - até uma coleção para a grife da ordem das Pecadoras Redimidas, por onde fez passagem relâmpago, ela inventou.

Garimpo. Na hora de criar a passarela cenográfica de Ti-Ti-Ti, a equipe de Marília, que tem dez profissionais, recorre a diversas fontes. No desfile da grife de Jaqueline, que começa a ir ao ar amanhã, os modelos são da marca carioca Martu e foram criados pela estilista Marta Macedo em conjunto com a consultora de moda da novela, Elisa Conde. "A própria Cláudia (Raia) tem muita coisa dessa loja, então eu quis fazer algo mais com a cara dela", detalha Marília.

O estilo de Victor Valentim, que começou com referências explícitas à moda dos anos 50 e evoluiu para uma espécie de neobarroco, leva duas assinaturas - Maria Bonita Extra e Samuel Cirnanski. "Aquele primeiro desfile, do começo, era uma coisa Dior e tafetá e trabalhamos com a (grife carioca) Maria Bonita. Tudo foi feito especialmente para a novela", conta a figurinista. E o que Marília chama de "evolução suprema" do trabalho de Valentim é, sem tirar nem pôr, obra do estilista paulistano Samuel Cirnansky. "A gente viu uma roupa dele na internet e eu falei: ‘É isso que a gente precisa.’ Ele me levou no acervo dele e eu fui só catando."

Bem menos talentoso do que imagina, Jacques Leclair não teve ajuda de nenhuma grife especial para montar sua coleção. Fadado ao fracasso, o desfile do estilista canastrão foi composto de peças garimpadas no acervo da Globo. "Não ia pedir emprestado de alguma grife e botar em cena para levar vaia... Foi um trabalho difícil, porque você não sabe como mostrar o que é feio e o que não é feio em moda. Porque tem uma hora que você diz: ‘Ah, é maluquice de moda’", pondera Marília.

A figurinista diz ainda que não viu a novela original que Cassiano Gabus Mendes escreveu em 1985 e que, agora, não quis ver para evitar a influência. A comparação com da moda da Ti-Ti-Ti de hoje com a moda da Ti-Ti-Ti de 85 quem faz é a figurinista Lúcia Daddario, que divide esse trabalho com Marília e também esteve na equipe da novela original. "O figurino de agora não tem nada a ver com o da Ti-Ti-Ti de 1985, que é uma novela que ficou com uma moda muito datada pela ombreira, cintura alta e calça bag", anota.

Fábrica. "Pode pôr aí: bar-ba-ri-da-de!", diverte-se Marília quando provocada a calcular quantos looks foram montados para os 130 personagens da novela. Para se ter uma ideia, só Jaqueline, a personagem mais exuberante em cena, já vestiu mais de 140 modelos. Valentim, por sua vez, tem oito modelitos de toureiro no guarda-roupa e até a boneca Susi, para quem a "titia" Cecília (Regina Braga) cria vestidos incríveis e tem acervo respeitável, com cerca de 40 vestidos.

Quem acompanha a trama, sabe que é dos vestidos feitos por Cecília para suas bonecas que saem os modelos assinados por Valentim. Responsável pelo guarda-roupa da boneca, a figurinista Lúcia Daddario explica que o trabalho real tem caminho inverso ao da ficção. "Normalmente, a Marília vem com a roupa que será usada em cena, e eu parto dela para a escala da boneca. Primeiro nasce o vestidão, depois o vestidinho."

Tudo o que sabemos sobre:
Ti-Ti-Tinovelas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.