Sony/Divulgação
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Viola Davis recria seu espaço na televisão

Indicada ao Emmy por ‘How to Get Away with Murder’ e com papel em 'Esquadrão Suicida', a atriz vive bom momento na carreira

Rachel Syme, The New York Times

05 de setembro de 2015 | 18h30

Viola Davis já conquistou dois prêmios Tony e foi indicada ao Oscar, mas teve de ir para a TV para encontrar um papel que a colocasse à frente de Hollywood. “Sempre fui a indicada pela Academia que tinha apenas duas ou três cenas num filme e sempre fui muito subutilizada”, diz ela. “Estava cansada disto. Não queria trabalhar na televisão, mas, no cinema, meus personagens são sempre coadjuvantes. Meu medo da escala rígida de programação da TV no final não pesou ao me apaixonar pelo papel.”

E este papel é de Annalise Keating, professora de Direito Penal e protagonista da série da ABC How to Get Away with Murder, que deu a Viola sua primeira indicação ao Emmy de melhor atriz de uma série dramática que, no Brasil, é exibida pelo canal Sony. Abaixo, trechos da conversa em que ela fala sobre o trabalho com a produtora Shonda Rhimes e sua companhia de produção Shondaland, a indicação ao Emmy e o filme Esquadrão Suicida.

Como vem sendo trabalhar em 'Esquadrão Suicida', da DC Comics?

Foi meu primeiro filme do gênero super-herói. Assinei um contrato para três episódios de modo que deverá ser uma grande experiência. É um papel divertido. Tive a oportunidade de trabalhar com Will Smith, imagine!

E quanto às indicações ao Emmy, como se sente? Você está numa categoria difícil.

Realmente. Mas minha expectativa é igual à de qualquer outro prêmio – sempre fico muito nervosa. E mesmo quando converso com você não consigo explicar porque, mas me deixam muito nervosa. Talvez porque seja um exame mais profundo do seu trabalho e as comparações com o trabalho de outras atrizes. Tudo me deixa nervosa. Todas merecem o prêmio. Veremos quem o receberá, de qualquer modo ficarei feliz. Além do que, tenho trabalhar no dia seguinte.

O que você acha dos tipos de papéis que Shonda oferece para as mulheres interpretarem?

Ela não estabelece limitações na narrativa baseadas no seu tom de pele, seu sexo ou sua idade. E Pete Novalk, que criou How to Get Away with Murder também não. Onde mais você veria uma série em que Marcia Gay Harden é minha cunhada, ou eu como uma mulher negra de 50 anos com uma vida sexual tão desordenada? Por mais que as pessoas possam criticar a Shondaland, elas esquecem o fato de que ela é progressista. E que ninguém mais está fazendo o que ela faz.

Além de 'Esquadrão Suicida' o que mais você tem feito?

Eles estão produzindo Fences, baseado na peça de August Wilson, dirigido por Denzel Washington, e vou participar do filme. Meu marido e eu criamos uma companhia e estamos produzindo uma história de Harriet Tubman para a HBO que Kirk Ellis está escrevendo. E Tony Kushner está criando um programa que vamos produzir para a Fox Searchlight sobre a grande deputada do Texas, Barbara Jordan. Estou comovida.

Você é atraída primeiramente pelo roteiro?

Sempre sou atraída pelo roteiro porque é o que vem primeiro. Por isso as pessoas podem ler roteiros online e saber um ano antes quem vai ser indicado para um Oscar com base naquele roteiro. Porque se não há um roteiro, como alguém pode interpretar?

O que a levou a abrir sua própria produtora?

Sabia que era a única maneira de ter o material com que eu realmente conseguiria me destacar. Quero ter o controle da situação. Não pretendo me sentar e esperar que Hollywood me envie esse material. E foi depois de The Help, depois de ser indicada ao Oscar de melhor atriz. Mesmo antes de criar minha produtora, o sucesso de Murder , as indicações ao Oscar, tive muita dificuldade para trabalhar em filmes. Ainda é uma luta.

É apenas a maneira retrógrada de pensar Hollywood?

Produzir filmes hoje é diferente. Muitos em que o personagem feminino é que impulsiona a trama, especialmente com mulheres mais velhas ou de cor, é difícil conseguir financiamento e uma distribuição no exterior. Não sei porque. São filmes que quero assistir. Sei que há pessoas por aí que também querem. Mas acho que existe um fator medo envolvido em tudo isto. Portanto eu sabia, apesar de tudo, que tinha de fazer todo o possível para estar numa posição de força para pelo menos assumir m controle da minha carreira.

Então, criar sua própria produtora permite esse controle?

Sim, mas ser o patrão demanda muito trabalho. Você tem de fazer duas coisas ao mesmo tempo. Tem de ser relevante e daí How to Get Away With Murder, ou Esquadrão Suicida. Tem de ser relevante porque, caso contrário, ninguém se arriscará a fazer alguma coisa com você, mesmo em se tratando de um orçamento de US$ 2 milhões. Mas ao mesmo tempo é preciso assumir riscos em termos do material que o instiga.

Você sente que está em posição de orientar jovens atores que experimentam obstáculos?

Sem dúvida. Faço isto o tempo todo. Mas acho que você tem de saber quando oferece seu conselho e quando deve calar e ouvir. É uma situação que, por mais que você exponha as coisas para as pessoas, elas não querem ouvir. Os sonhos são muito maiores do que o medo ou os obstáculos que você tenta mostrar para elas. A única coisa que acho diferente no caso dos jovens atores hoje, e talvez tenha semelhante antes, é que, me parece, hoje as pessoas querem alguma coisa, mas não querem trabalhar para isto. Estou tendo sucesso depois de 27 anos trabalhando como profissional e 36 anos atuando em geral. Você fica muito tempo na fila até chegar lá na frente, mas hoje ninguém mais quer esperar na fila. Ninguém quer pisar na lama para conseguir alguma coisa que lhe dará prazer. Se você quer ser uma estrela – quer a sua Escolha de Sofia ou o seu Diabo Veste Prada, ou mesmo a sua Preciosa, ou quer já no início o seu Oscar – vai ter muita dificuldade. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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