Vilão de fato é aquele bom de se odiar

Novelista é que nem turista japonês: vem de bando. Quando anunciam uma novela do Aguinaldo Silva, a gente já pode contar com sete meses de Arlete Salles, Suzana Vieira e José Wilker dentro de casa. Se a novela é do Manoel Carlos, abra lugar no sofá para a Helena Ranaldi e para o José Mayer. Ah, deixe a poltrona pra Regina Duarte. Com as duas obras que atualmente ocupam o horário nobre da Globo acontece a mesma coisa. Mesmo que Gilberto Braga, dessa vez, não tenha conseguido Malu Mader, sua musa de sempre, estão lá em Paraíso Tropical, Glória Pires, Isabela Garcia, Vera Holtz, Fábio Assunção e Hugo Carvana. Nova na turma, Camila Pitanga deve ter garantido um lugar nas próximas do Braga.Novidade no horário das 7, Walcyr Carrasco abandona os carros fon-fon e as melindrosas para retratar uma São Paulo bem moderninha na recém-estreada Sete Pecados. Para tentar abraçar o sucesso, Carrasco chamou seus talismãs: a belíssima Priscila Fantin, a desenfreada Elisabeth Savalla e os paus-pra-toda-obra Ary França, Ary Fontoura, Suely Franco e Nicette Bruno. Como numa tática de guerrilha, estão todos espalhados nos diversos núcleos, para reforçar a voz do autor em cena.Não é por mero espírito corporativo que autores buscam se cercar dos seus preferidos. É certamente a vontade de ter seu texto bem representado diante de milhões de telespectadores. Para Walcyr, não resta dúvida que é mais fácil escrever a hilária Rebeca quando sabe que pode contar com o despudorado exagero de Elisabeth Savalla. Para os atores, é um sossego trabalhar com um autor que escreve "para a sua boca" - uma maneira de dizer que o texto foi escrito especialmente para aquela pessoa.Está certo que isso não garante sucesso. Carlos Lombardi juntou a patota toda, de Marcos Pasquim a Beth Lago, e não conseguiu deslanchar Pé na Jaca, que nem era fraca. Mas Walcyr, pelo jeito, promete. Ok, é duro acreditar que a mimada Beatriz (Priscila Fantin) só ficou rica por causa da herança do pai - um arqueólogo, profissional que, raramente, jamais chegaria à presidência da Fiesp. Mas tudo é fantasia - ainda bem.

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