Viagem alucinante pela história russa

O maior cineasta russo da atualidade, Sokurov, entra no Hermitage e faz filme sem um único corte

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2008 | 21h28

Em parceria com a Mostra Internacional de Cinema, a Versátil lança a obra-prima do russo Aleksandr Sokurov, Arca Russa, inventário dos três últimos séculos da história russa filmado num único plano-seqüência, sem cortes, no famoso museu de São Petersburgo, o Hermitage. A steadicam comandada pelo fotógrafo alemão Tilman Büttner (de Corra Lola, Corra) percorre 35 salas do museu em busca dos maiores personagens da história russa, de Pedro, o Grande a Nicolas e Alexandra, passando por Catarina, a Grande, que fundou o Hermitage como museu.Sokurov é um mestre da delicadeza, capaz de tratar de personagens escabrosos, como Hitler (no filme Moloch), sem perder o equilíbrio. Em Arca Russa, ele, de modo irônico, introduz o espectador nessa "arca" de 300 anos da moderna história russa como um cineasta que acaba de recobrar a consciência após um "acidente" (que bem poderia ser o da ditadura comunista). Não que Sokurov seja imperialista ou tenha nostalgia da nobreza russa. Ele é implacável com os nobres, tratando-os como figuras de museu ou ridicularizando-os, como na seqüência em que Catarina, a Grande corre pelo palácio em busca de um banheiro. Ecos de comédia leve conduzida com elegância misturam-se a discussões sérias sobre arte, como na cena em que se analisa o simbolismo de uma tela de Tintoretto. Um filme para ver com reverência ao mestre Sokurov.

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