Richard Perry/The New York Time
Richard Perry/The New York Time

Eterno comandante da Enterprise, William Shatner continua ativo no entretenimento

Com agenda cheia, ele vai de Chicago a Los Angeles, em uma motocicleta dragster de três rodas construída especificamente para ele

Michael Cavna, The Washington Post

01 de junho de 2015 | 09h53

Seja num veículo possante ou no lombo de um cavalo, William Shatner, a força da natureza, continua audaciosamente indo aonde relativamente poucas personalidades octogenárias do entretenimento jamais estiveram.

Basta dar uma olhada aleatória nas anotações do seu diário (de bordo?). No próximo mês, ele vai embarcar numa viagem de Chicago a Los Angeles pelas estradas, pilotando a motocicleta dragster de três rodas construída especificamente para ele pela American Wrench. Ainda em meados do ano, ele diz que irá à Ásia para participar de um reality show; então, em outubro, levará seu espetáculo de um homem só à Austrália.

O que, exatamente, leva esse ator premiado com o Emmy e o Globo de Ouro a cruzar fronteiras e continentes para entreter e buscar emoções, meio século depois de a série Jornada nas Estrelas, de Gene Roddenberry, o ter colocado no comando pela primeira vez? “Não sei”, diz ele ao telefone, com um pouco da pausa dramática pela qual é conhecido. “Talvez porque essas experiências estejam lá fora, esperando para serem vividas.” Ele pensa um pouco mais na pergunta. “Esses feitos físicos estão aí, à espera - por que eu diria não? Seria melhor andar pela casa?” (Por sinal, a casa está sendo reformada para outro projeto de Shatner: um programa para a DIY Network. Mesmo em casa, ele não para) “Parece que estou vivendo num sonho, até não poder mais”, disse Shatner.

Nesse final de semana, o sonho inclui uma aparição no Awesome Con, um festival de três dias que vai atrair milhares de geeks da cultura pop para o Centro de Convenções Walter E. Washington, na capital americana. O homem que muitos conhecem como o capitão James T. Kirk, como T. J. Hooker e Danny Crane (dos programas The Practice e Boston Legal) vai participar na sexta feira e no sábado, e está ansioso para falar de seu novo empreendimento nos quadrinhos, Man O’War. 

“Acho”, diz Shatner, dramático, “que inventei algo novo. Trata-se de uma história em quadrinhos - ou romance ilustrado, como os chamam agora - sobre o qual a câmera se movimenta: o quadrinho, os diálogos. Mas temos efeitos sonoros e música.”

Parece algo semelhante a um quadrinho animado - formato já existente - mas ele insiste com uma paixão digna de Kirk, sempre pronto para a dobra espacial: “Me parece que dei um passo além”.

Troca de farpas. Um passo que Shatner diz não estar disposto a dar: assumir o palco com o ex-colega de elenco de Jornada nas Estrelas, George Takei, astro das mídias sociais e ícone da comunidade LGBT que estará na Awesome Con no sábado e domingo. Faz anos que os dois trocam farpas à distância.

“George é um sujeito um pouco estranho”, diz Shatner, destacando que os dois não se frequentam socialmente. “Eu não o conhecia (nos anos 1960, época das filmagens da série) - não o conheço. Ele não parece reconhecer que, 50 anos atrás, ele entrava e saía (do seriado) de tempos em tempos. Seu papel era menor. Eu o via ocasionalmente. Não nos conhecíamos - por que ele implica tanto comigo?”

Em comparação, Shatner demonstra muito afeto por Leonard Nimoy, morto aos 83 anos recentemente. “Perdi um amigo maravilhoso e um homem que me fazia rir”, disse Shatner do ator que interpretava Spock. “Adorava estar no palco com ele - e o quanto ele gargalhava com tudo. Mas, para mim, é como um alerta a respeito da idade, que está começando a pesar para todos nós”, acrescenta Shatner, que completou 84 anos.

Com isso, Shatner vai participar de mais convenções de quadrinhos e mais eventos cinematográficos. Esteve no Festival Internacional de Cinema de Nova York este mês para promover seu novo documentário, Chaos on the Bridge. Vai ganhar mais faixas azuis cavalgando seus cavalos quarto de milha, e defenderá politicamente uma tubulação para trazer água do rio Columbia à Califórnia.

E principalmente, ao aparecer em público, ele vai se dedicar a fazer algo essencial com o público: envolver-se. “Quando subo no palco, tento transformar aquilo num happening”, conclui o ator. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.