Ver 9mm é levar um choque bom

Fiquei um pouco chocada ao assistir ao primeiro episódio de 9mm: São Paulo, produção nacional da Fox. Mas foi um choque bom. Durante a exibição, não consegui desgrudar os olhos da tela e, ao fim, estava boquiaberta. O roteiro do piloto foi muito bem amarrado, houve reviravoltas - sim, muitas reviravoltas - e um encerramento digno de série de TV a cabo. Pena que são só quatro episódios neste ano! Em 2009, serão mais 9.9mm não deixa nada a desejar às produções da HBO. Aliás, será que este é o início do efeito HBO - que impulsionou canais a cabo americanos a investirem em boas histórias - aqui no Brasil? Espero que sim. E arrisco a dizer mais: considerando-se o piloto, a linguagem crua e real de 9mm supera o universo fantasioso e a luxúria de Mandrake. O piloto teve uma trama coesa, atuações verdadeiras - destaque para Norival Rizzo (Horácio) e Clarissa Kiste (Luisa) -, intensidade. A câmera nervosa de Michael Ruman, apelidada por ele de "dogma freak" - adoro esse nome -, dá o tom. Apesar da vertigem inicial, os closes e o movimento ditam a ação. Ao ver a crueldade da história, entendi de cara a inspiração do roteirista Newton Cannito em The Shield. A série é muito mais The Shield que Tropa de Elite. Teve gente que reclamou da violência, dos palavrões, da corrupção policial estampada na série... Mas, quer saber? Ver o início de 9mm deu aquele prazer do choque bom que só pilotos de séries como Família Soprano, Dirt e Damages podem proporcionar. Fora que é muito gostoso ver São Paulo na telinha efetivamente falando paulistês. A série tem tudo para fisgar a audiência - eu, pelo menos, fui fisgadíssima!

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