Divulgação
Divulgação

'Velho Chico' chega ao fim com homenagem discreta a Domingos Montagner

O último capítulo da novela, que foi ao ar nesta sexta-feira, 30, mostrou finais felizes, redenções, reconciliações, mas ficou a sensação de ter faltado uma despedida mais emocionante ao ator, morto no dia 15

Adriana Del Ré, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2016 | 23h57

Velho Chico chegou ao fim nesta sexta-feira, 30, com uma homenagem contida ao ator Domingos Montagner, que morreu no último dia 15, por afogamento no Rio São Francisco, num momento de folga das gravações. Na cena final da novela, o próprio ator, no papel de Santo, apareceu numa embarcação navegando pelo rio, ao som da bela música Francisco, Francisco, na voz de Maria Bethânia. Em seguida, surge o Gaiola Encantado, barco fantasma que, segundo a lenda local, conduz as pessoas mortas na região. Seria o Gaiola Encantado carregando a alma de Domingos para o outro lado? Foi o último adeus. Existia uma grande expectativa em relação a como os autores Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi, e o diretor Luiz Fernando Carvalho fariam esse tributo. Esperava-se, talvez, algo mais grandioso.

Houve o esperado casamento de Tereza e Santo. Na cerimônia, Santo apareceu novamente por meio da câmera subjetiva, para a qual todos olhavam como se fitassem o personagem. Já no altar, sob as bençãos do pai Afrânio (Antônio Fagundes), Tereza (Camila Pitanga) foi entregue para Santo. Inundada por uma luz, Tereza olha para a câmera e, ao fundo, ouve-se a voz suave de Domingos/Santos dizendo: "Esperei isso por tanto tempo" e "Eu vou estar sempre aqui". Dos olhos da estátua da santa no altar brotaram lágrimas e logo uma chuva começou a cair torrencialmente dentro da igreja. Momento simbólico, já que chuva no sertão árido representa felicidade.

Algumas cenas antigas de Domingos/Santos foram lembradas em flash-back nas memórias de Tereza. E alguns desfechos foram emocionantes, como o coronel Afrânio (Fagundes) reencontrando o filho Martim (Lee Taylor), morto, para dar o forte abraço que eles não deram quando Martim estava vivo. Fagundes foi criticado por não dar continuidade, na segunda fase da novela, ao tipo de composição do personagem Saruê iniciado por Rodrigo Santoro na primeira parte da novela, mas ele é um grande ator. E, mais uma vez, ele encenou um grande momento de reconcialiação com um filho na ficção, como aconteceu com seu coronel José Inocêncio e o filho João Pedro (Marcos Palmeira) em Renascer (1993), e seu César com o filho Félix (Mateus Solano), em Amor à Vida (2014).

Houve ainda a redenção de Luzia, personagem de Lucy Alves, que fez as pazes com seu passado ao adotar um bebê abandonado, assim como aconteceu com ela, e que desejou boa sorte ao ex-marido, por quem cometeu atitudes insanas para mantê-lo a seu lado. Um grande momento para Lucy Alves também, que suavizou o semblante, o olhar para deixar bem marcada essa nova fase de Luzia.

Os discursos da preservação ambiental e da agricultura sustentável foram reforçados nas últimas falas de Miguel (Gabriel Leone), temas que atravessaram toda a novela. Miguel e Olivia (Giullia Buscacio) têm gêmeos. E a vida e a família se perpetuaram. Falou-se também de morte e dos espíritos que continuam a estar perto dos entes queridos. Nesse último capítulo, estava tudo lá: casais com finais felizes, crianças nascendo, vilões pagando o preço pela maldade, rendeções, reconciliações. Mas ficou a sensação de ter faltado uma despedida mais emocionante a Domingos Montagner, no último trabalho de sua vida.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.