‘Vampirismo é puro sexo’

O nome de Alan Ball foi citado durante toda a entrevista com o elenco de True Blood. Um show assinado pelo criador de Six Feet Under, roteirista ganhador de Oscar (Beleza Americana, 2000), foi o motivo que mais pesou na hora de convencer os atores a fazerem testes para a série – além de ser uma produção da HBO, claro. Antes de ser paparicado pelo elenco, Ball falou ao Estado.

Gustavo Miller, O Estado de S. Paulo

15 de agosto de 2009 | 15h00

 

Veja também:

linkSangue, suor e mais fluidos corporais

 

Por que hoje temos tantas produções sobre vampiros?

Faço uma piada que é porque nós tivemos, aqui na América, nos últimos oito anos, um vampiro presidente que nos sugou até nos deixar secos (risos). Honestamente, não sei dizer por quê. Os vampiros sempre foram seres atemporais.

 

Por quê?

Eu acho que existe essa tensão sexual, desde o Drácula de Bram Stocker e da Era Vitoriana. Sexo era algo escondido, essas histórias eram uma boa metáfora para falar de sexualidade. Se você pensar, o ato do vampirismo, de peles penetradas e fluidos corporais sendo trocados, é totalmente sexo.

 

O show usa a inserção dos vampiros na sociedade como uma metáfora para falar do racismo e do fanatismo religioso na sociedade americana. Como você criou essa abordagem?

Isso já estava nos livros e foi um dos motivos que me fizeram gostar tanto deles. Porque parece fresco. Comprei o primeiro livro da série por impulso: estava 20 minutos adiantado para uma consulta no dentista, então dei um pulo na Barnes & Noble. Algo me disse "compre". Se fosse uma história tradicional de vampiros, eu não teria gostado. O jeito com que ela (Charlaine) trata as questões sociais e faz do vampiro uma metáfora para isso, como o culto e a fantasia de se transar com um, de beber seu sangue, ou mesmo a perseguição religiosa, foram sacadas que transformam a obra num entretenimento legal, sexy e assustador.

 

Por que na série temos mais personagens afro-americanos do que na obra original?

Bem, estamos falando de uma Luisiana, então como não ter grandes personagens afro-americanos? O único que existe nos livros, de real importância, é o Lafayette. Já a Tara é só uma amiga da Sookie e eu não quis que ela fosse mais uma caucasiana bonitinha.

 

'True Blood' e 'Six Feet Under' estão relacionados com a morte, de certa forma. Esse é um assunto que o fascina?

Passei cinco anos num show que trabalhava com o fato de que todos vamos morrer um dia. Pensei: "O.K., acabei com esse lado pesado." E o livro me pegou por ser engraçado! True Blood não mostra a realidade da morte, é um cartoon, não é o vilão de Six Feet Under. Por causa do acidente de minha irmã (ele a viu morrer em um acidente de carro), tenho outra percepção da morte, é algo que me fascina. Recentemente perdi um cão e realmente fiquei de luto. Mas é um assunto que não me assusta mais: agora fico em frente a um túmulo, choro por quatro minutos e sigo em frente. Quando perde-se alguém que ama, você a homenageia com sua dor, mas depois deve entrar em paz.

 

FIQUE DE OLHO NOS COADJUVANTES

 

1. ERIC NORTHMAN | (Alexander Skarsgård)

O vampiro milenar agora quer Sookie para ele. "Eric é intimidador, mas na 2ª temporada vemos que ele não é muito mal, mas um grande amigo"

 

2. SAM MERLOTTE | (Sam Trammel)

Por que Maryann o quer tanto? "Sam está aprendendo a se amar, ele tem vergonha de ser metamorfo"

 

3. JASON STACKHOUSE | (Ryan Kwanten)

O irmão de Sookie, que é treinado para ser um soldado da igreja Sociedade do Sol, mudará de lado

 

4. JESSICA HAMBY | (Deborah Ann Woll)

A transformação da adolescente em vampira é uma comédia. Seu namoro com Hoyt renderá muito

Tudo o que sabemos sobre:
TV & LazersérieTrue BloodHBOvampiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.