Vai valer a pena ter amanhecido...

A Clara (Júlia Lemmertz) poderia ser, sem susto, a filha da Malu (Regina Duarte), de Malu Mulher, seriado que a Globo levou ao ar em 1979-80 e que até hoje é referência quando se fala sobre a condição feminina na TV. Usando da capacidade que a teledramaturgia tem de refletir quase instantaneamente sobre o que está em pauta na sociedade, o diretor Daniel Filho levou ao ar a discussão sobre os efeitos práticos da regulamentação do divórcio, que acabara de acontecer, em 1977.

O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 22h22

A recém-conquistada liberdade da protagonista, que começava a história se separando do marido adúltero, Pedro Henrique (Dennis Carvalho), deu o tom para todo tipo de transgressão, com capricho e na medida. Imagine que, além de se separar, Malu, toda sacudida, chegou a receber a nova namorada do ex-marido para jantar - e foi simpática!

Seriado moderno e feminino, sem ser feminista. E dramático, sem ser dramalhão. Foi em Malu Mulher, por exemplo, que a TV "mostrou" o primeiro orgasmo feminino - sugestão, na verdade, cena em que a mão de Malu aparecia se fechando bem forte na hora H. Teve também conversa sobre perda da virgindade, quando a filha adolescente de Malu, Elisa (Narjara Turetta), pergunta à mãe sobre o assunto e ela responde: "Dói, mas só até sangrar", frase que é aproveitada em várias situações e de maneira genial ao longo daquele episódio.

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