Vai uma máscara de jaca aí?

Engraçado por si só, universo das chapinhas é a matéria-prima da Ivete de 'Beleza Pura'

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2008 | 23h39

Novela chique, de belos figurinos e elenco de pele bem tratada como a de Carolina Ferraz, Beleza Pura não vive só dos cremes de caviar. É preciso encontrar a graça também do esmalte misturinha, das unhas francesinhas e da máscara capilar de jaca, que tratam do ego das suburbanas, ensina a autora Andréa Maltarolli. Para isso, entra em cena a Ivete de Zezé Polessa. Dona do salão Belezoca, ela é retrato fiel daquelas figuras despachadas que não cansam de nos apresentar novidades que nos parecem milagrosas quando vistas através do vapor do secador. "Sempre fui curiosa sobre esse universo de salão, essa coisa de ser o lugar aonde as mulheres vão para fazer alguma coisa por si", diz a atriz.Para compor Ivete, Zezé refaz a memória da menina vaidosa, que juntava dinheiro para pintar as unhas de branco. E também recorre à fiel cabeleireira Elza, que inspira algumas das melhores tiradas da personagem. Sobre esse universo, Zezé fala ao Estado, numa entrevista feita coincidentemente durante os intervalos da novela, que ela faz questão de ver.Está acompanhando a novela, então?Essa, sim. Nunca vejo as novelas que faço. Não dá tempo. Além do mais, a gente fica muito obsessiva, pensando "ah, isso não estava bom". Melhor é ver, se der, no estúdio, como trabalho, né? Está gostando?Sim, bastante. Acho que é bem amarradinha, tem núcleos interessantes. Acho o meu núcleo uma delícia, essa coisa de ser humor, de ter sentimento, humanidade. Sempre fui curiosa sobre esse universo de salão, essa coisa de ser aonde as mulheres vão para fazer alguma coisa por si, se sentirem melhores, para ficarem bonitas. É freqüentadora de salão?A minha mãe ia muito pouco a salão, mas eu lembro que comecei a fazer as unhas quando estava no ginásio, minha irmã me ensinou. De vez em quando, conseguia juntar o dinheiro e ir ao salão fazer. Lembro que pintava as unhas de branco, enormes. Adoro maquiagem também. Ia às 7 horas da manhã maquiada para o colégio. É engraçado, porque eu era intelectual, uma menina superestudiosa, mas adorava me maquiar e pintar as unhas. Então, deve ter tido facilidade para compor a Ivete.Sempre tive facilidade com isso. Não para fazer uma escova - depois, até aprendi. Até cortei uns cabelos para uma matéria no Fantástico.Fez alguma preparação, um laboratório?Fiz, mas pouco. Em meia hora aprendi a fazer escova. É mais na hora de gravar mesmo. Tem uma cabeleireira de verdade que faz uma participação, e me ajuda. E imito muito a Elza, minha cabeleireira.Improvisa muito?Ah, sim. Outro dia, inventei uma coisa ótima. Disse para um: "Já sabe os três passos, né? Shampoo, condicionador e máscara. Já fez a de jaca? O cabelo está pedindo". Ela diz também "esse cabelo me corta o coração", que é uma coisa que a Elza diz. A dona do salão fica ali como uma grande deusa, que vai oferecer técnicas que vão mudar sua vida. Uma máscara de jaca é capaz de fazer de você uma pessoa muito feliz!Ivete é ex-chacrete, tem um mistério. Sabe que rumo ela vai tomar?Não. Ela tem um segredo, isso eu sei. A função de mãe é muito forte nela. Mas isso tem uma hora que se esgota, né? Chega uma hora em que a história do personagem tem de vir. Então, estamos todos torcendo para que venha a história dela. Um amigo meu, o Fernando Eiras, dizia: "Novela é o seguinte: você atira para todo lado, mas quem mata é Deus". Deus, no caso, são os autores.

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