Globo/Ramón Vasconcelos
Globo/Ramón Vasconcelos

'Vade Retro' chega dia 20 com Monica Iozzi e Tony Ramos, adolescente gótica e referências a Kubrick

Trama de Fernanda Young e Alexandre Machado vai misturar suspense e comédia para mostrar dualidade entre o bem e o mal

Pedro Rocha, Especial para o Estado

06 Abril 2017 | 17h24

Brincar com suspense e terror misturando com a comédia é tendência no mundo das séries. Já veio Scream Queens e Santa Clarita Diet nos EUA, e agora é a vez de Vade Retro no Brasil, série de  Fernanda Young e Alexandre Machado que estreia no dia 20 de abril na Globo. 

Para apresentar o novo produto, a emissora realizou nesta quinta-feira, 6, uma coletiva de imprensa em São Paulo, cidade que serve de cenário para a história, com locações como o Conjunto Nacional, o Memorial da América Latina e a mansão Jafet. 

Na linha de frente da série estão o experiente Tony Ramos e a protagonista de primeirta viagem Monica Iozzi. Ele é o diabo em pessoa, o empresário Abel Zebu. Ela é uma mocinha ingênua, a advogada Celeste, abeçoada ainda criança pelo santo papa João Paulo II com um beijo na testa, durante visita ao Brasil em 1991. 

Zebu é um palestrante de sucesso, cujos discursos aparecem em quase todos os episódios da série. Foi a sua lábia, aliás, que atraiu Tony para o papel, após ter sido convidado pessoalmente pelo diretor artístico, Mauro Mendonça Filho. “As palestras são muito ilustrativas desse belo texto (da série)”, comenta o ator, que decorou uma delas, sobre os sete pecados capitais, e declamou para a plateia de jornalistas presentes na coletiva. 

O personagem encontra Celeste ao buscar um advogado para cuidar dos seus empreendimentos e do divórcio da mulher, Lucy Ferguson (Maria Luísa Mendonça). Ela é perfeita para Zebu por sua igenuidade, já que ele precisa também de um laranja para seus negócios. “Ela não desconfia das pessoas, ela primeiro acredita, dá um voto de confiança”, comenta Iozzi ao falar da sua única semelhança com a personagem. 

Vade Retro conta ainda com o namorado frustrado de Celeste, Davi (Juliano Cazarré), que a trai com a secretária do escritório de advocacia, Kika (Luciana Paes); a carola mãe da protagonista, Leda (Cecília Homem de Melo); e os filhos estranhíssimos de Lucy Ferguson, a adolescente gótica Carrie (Nathália Falcão) e o endiabrado Damien (Enrico Baruzzi), único fruto do seu relacionamento com Zebu. 

A própria Celeste brinca, na série, com o fato de Damien ser o nome do filho do demônio no filme A Profecia (2006). Carrie também é uma referência, de Carrie, a Estranha (1977). O que não faltam são pequenos “easter eggs” de filmes de terror, começando pelo método de filmar, o “one-point perspective”, em que um objeto ou personagem é colocado no centro da imagem, tipo de filmagem imortalizado por Stanley Kubrick. 

“É legal brincar com referências”, diz Mauro Mendonça Filho, que destaca que a série está mais para comédia que para terror. “Tentamos achar uma estética que brincasse, para mostrar que é uma comédia. Os personagens vão ter mais medo do que o público.”

Além da obra de Kubrick e filmes de terror clássicos, o diretor se diz também inspirado por quadrinhos. Na série, São Paulo será vista como a Gotham City das histórias do Batman, “um lugar que a gente acha que é Nova York, mas não é”. 

Para a sua caracterização de Abel Zebu, porém, Tony Ramos alega ter fugido de referências, apesar de o seu visual já ter sico comparado com o de Robert DeNiro em Coração Satânico (1987). “Eu jamais iria assistir a qualquer filme que pudesse me remeter a qual figura do diabo eu gostaria de fazer.” 

Zebu, é importante destacar, pode ou não ser o demônio – é um dos mistérios que permeiam a série. Mas, mais que um homem diabólico, Vade Retro está repleta de personagens femininas fortes, como a dançarina de boate e enfermeira nas horas vagas Lilith, papel de Maria Casadevall. O nome da personagem não é por acaso. 

“O mito de Lilith representa a força da mulher, de luta e empoderamento”, afirma a atriz, cuja personagem também passa a dúvida se é ou não a encarnação feminina do demônio. “Você não sabe se é um ser-humano de caráter duvidoso ou se é um ser de origem sobrenatural.”

Com o bem e o mal, Deus e o Diabo, a série vai passar também por questões religiosas. Mas tudo, porém, com respeito, segundo a autora Fernanda Young. “Eu e Alexandre somos pessoas muito religiosas e espiritualizadas, exercitamos isso em nossas vidas de forma discreta.”

“A comédia é um recurso muito bem-vindo para refletir sobre questões que devem ser pensadas, e o humor tem que ser leve”, afirma a autora. “Em momento algum nós desrespeitamos nada, não é a nossa intenção. Nós somos iconoclastas, mas somos extremamente bem-educados.”

Foi de Alexandre, aliás, a ideia inicial da série – uma comédia para falar dos pequenos infernos no dia a dia. Com Vade Retro, ele e Fernanda comemoram mais uma parceria nas telinhas. Juntos, eles foram responsáveis por programas da Globo como Os Normais, Minha Nada Mole Vida, O Sistema, Macho Man e ainda Separação?! e Como Aproveitar o Fim do Mundo, séries indicadas ao Emmy Internacional de Melhor Comédia em 2009 e 2013, respectivamente.  

Vade Retro estreia no dia 20 de abril e terá ao todo 12 episódios, que serão exibidos sempre às quintas-feiras após a novela das 21h na Globo. 

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