Divulgação
Divulgação

Única mulher de ‘Estradas Mortais’, Lisa Kelly diz não precisar se afirmar entre caminhoneiros

Em passagem por São Paulo, personagem do reality do History Channel diz que, contudo, demorou para conquistar espaço

João Fernando, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2013 | 19h43

Lisa Kelly encara o volante de caminhão por centenas de quilômetros em caminhos perigosos para fazer entregas, conserta o motor e troca pneus em temperaturas negativas. Ela, porém, diz que o esforço é pouco quando se vê pedindo informações no reality Estradas Mortais, exibido todos os domingos, às 23 h, no History Channel.

“Pareço burra na televisão. Estou sempre pedindo ajuda”, debocha a norte-americana, de 32 anos, de passagem por São Paulo esta semana. Com um cabelo loiro platinado e um jeans com tachinhas brilhantes, Lisa não tem muitos acessórios, usa pouca maquiagem e afirma não querer ficar muito feminina em meio aos outros competidores do programa, todos homens.

“Não sinto que preciso me afirmar. Não preciso ser como um homem tampouco exagerar. Estou o confortável da maneira que sou. Não estou tentando mudar nada, só estou tentando me adaptar ao meio”, contou ao Estado.

Na última temporada, agora no ar, a moça encarou as estradas do Alasca, estado onde mora e passou a maior parte da vida. Mesmo acostumada com o clima e o trajeto, Lisa garante ser prudente ao volante por lá. “Claro que tenho uma maneira de dirigir diferente na moto.”

Na atração, os competidores têm de entregar cargas pesadas em estradas de difícil acesso em um prazo curto. Entre os itens que a loira transporta estão suprimentos de saúde para comunidades distantes. “Sempre quis fazer algo médico, pois meu pai é dentista e minha mãe enfermeira.”

Apesar do sucesso que faz mundo afora, Lisa revela que demorou para conquistar espaço no ambiente masculino dos caminhoneiros. “Existe preconceito. As pessoas achavam que eu não seria capaz de dirigir”, confessa ela, que dirigia ônibus escolares antes de trabalhar com transporte de cargas.

Entretanto, ela não teve resistência em casa. “Meu marido sabe que sou louca”, brinca ela, casada com um mecânico de motos, com quem não tem conseguido se encontrar muito. “Nos últimos meses, só fiquei em casa por uns dez dias”, reclama a loira, que tem viajado pelo mundo para promover o reality. “Acho que meu marido assiste ao programa quando está com saudade de mim”, derrete-se.

Contraditoriamente, Lisa raramente confere seu desempenho na telinha. “Não vejo TV, não tenho tempo. Prefiro ver DVDs”, dispara a norte-americana, reconhecida com frequência nas ruas de Wasilla. “Mas pouca gente fala comigo.”

Pela segunda vez no Brasil, ela ganhou flores e miniaturas de caminhões do fãs. “As pessoas são muito amigáveis e generosas aqui”, avalia Lisa, que só aceita ser beijada pelos admiradores brasileiros. “Aqui é normal. Quando fui à Inglaterra, queriam me beijar, mas eu não deixei”, entrega. Sem frescura, ela tentou ajudar a trocar o pneu do carro da equipe que a levou à sede da RedeTV!, onde foi entrevistada por Luciana Gimenez, esta semana. “Eles disseram: ‘Somos homens. Deixe-nos fazer isso’. Ok”, conta.

Os problemas pelos quais passou ao dirigir em lugares como Bolívia, Peru e Índia não a incomodaram. “As estradas eram ruins. Você passa mal com a comida, mas aprende a cultura local”, analisa. Ela aceita o desafio de encarar uma aventura na Amazônia. “Só fico pensando nos mosquitos”, diverte-se. Apenas na sexta temporada do reality, a loira pediu para não participar. “Quando me chamaram, fiquei pensando: ‘Será que vou morrer?’.”

Quando não está em função do Estradas Mortais, Lisa Kelly gosta de ficar em casa, cuidando de seus cavalos. E faz questão de manter a distância de qualquer veículo. “Quando não estou trabalhando, não quero saber de dirigir. Meu marido faz isso para mim.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.