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Uma visita final a ‘Downton Abbey’

Drama de costumes britânicos, série estreia sua última temporada

Meredith Blake, Los Angeles Times

03 Janeiro 2016 | 03h00

Laura Carmichael relaxava em seu trailer no set de Downton Abbey quando uma voz ecoou através da parede: “Você tem planos para a noite?”

Era seu companheiro de elenco Jim Carter, cujo inconfundível tom de barítono quase não era afetado pela fina barreira entre os quartos de vestir dos dois atores. Carter fazia o tipo de pergunta que seu personagem, o formalíssimo, mas amável, mordomo Carson jamais ousaria fazer à personagem de Laura, Lady Edith. 

Mas isso é a vida real 2015, não a ficcional 1925. Laura gostou do aproach e, inclinando-se para a parede, convidou Carter a ir com ela e família, mais outra companheira de elenco, Michelle Dockery, jantar num gastropub local. 

Como se esperasse a deixa, Michelle, com adereços de Lady Mary do pescoço para cima, jeans e suéter na parte de baixo, bateu na porta para dar um alô.

“Somos como os Waltons”, brincou Laura Carmichael. Mais como os Windsors.

Desde que Downton Abbey estreou nos Estados Unidos nas séries dramáticas Masterpiece, da rede pública de TV PBS, poucos meses antes do casamento real britânico de 2011, foi ao encontro da anglofilia americana quase tanto como Will e Kate. Criada pelo ganhador do Oscar Julian Fellowes, agudo observador do sistema de classes britânico, a série é uma crônica da vida nos andares de cima e de baixo de uma propriedade em Yorkshire durante 12 tumultuados anos que começam com o naufrágio do Titanic, em 1912.

Como quase todos os dramas de costumes britânicos semelhantes, seus ingredientes básicos, segundo a produtora executiva Rebecca Eaton, de Masterpiece, são “amor, traição e propriedades rurais”. Mas, diferentemente de tantos outros rígidos dramas de época, Downton Abbey aborda esses temas com uma agilidade e malícia que lhe dão um apelo único junto ao público contemporâneo.

Com uma média semanal de 12 milhões de espectadores na quinta temporada, Downton Abbey se alinha entre os dramas mais vistos na história da PBS e derrota regularmente seus competidores nas TVs a cabo e aberta. E sem apelar para zumbis, dragões nudez gratuita – quem precisa disso quando tem Maggie Smith?

Downton Abbey já foi parodiada por Jimmy Falon, Sesame Street e Os Simpsons. Seu elenco visitou duas vezes a Casa Branca.

Infelizmente, o fim está próximo: a sexta e última temporada de Downton Abbey estreia neste domingo, 3, na PBS – e no Brasil, no sábado, 9, às 22h30, no canal GNT. Em locações de Hampshire e West London na primavera, em meio à produção da temporada final, elenco e equipe estavam prontos para ir em frente conscientes, como Lord Grantham testemunhando o declínio da aristocracia, de que deixavam para trás uma experiência difícil de ser replicada.

“Acho que eu e o elenco nos demos bem”, diz Fellowes. “Se você faz um trabalho como Downton Abbey, Mad Men ou The Good Wife, e cai nas graças das pessoas, você é muito, muito sortudo.”

TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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