Suzanne Tenner/FX
Suzanne Tenner/FX

'Feud' busca dar final feliz à hostilidade entre as duas atrizes

Série mostra o que há por trás de Bette Davis e Joan Crawford

Jane Borden, THE WASHINGTON POST

12 Março 2017 | 03h00

Feud: Bette and Joan é uma crônica sobre a brutal rivalidade entre as duas atrizes durante as filmagens de O Que Terá Acontecido a Baby Jane, em 1962 – um filme de horror sobre uma também atroz rivalidade entre duas mulheres. Mas você pode ficar mais tranquilo ao saber que Susan Sarandon e Jessica Lange, que interpretam Bette Davis e Joan Crawford, respectivamente, se dão muito bem. “Sim, é verdade”, garantiu Jessica, quando concluíram o trabalho. “Graças a Deus nos damos bem, porque o projeto foi difícil”, disse também Susan. O criador da série, Ryan Murphy (de American Horror Story e American Crime Story) confirma essa percepção. “Tivemos uma semana agitada e nos dois primeiros dias tive vontade de me retirar."

“Lutei para não fazer uma simples imitação de Bette, mostrar o clichê que você sempre vê”, informou Susan. O desafio enfrentado por Jessica Lange foi diferente. “Falei ao Ryan que não sabia como interpretar a personagem. Não sei quem ela é.” Jessica entendeu melhor depois de pesquisar a infância de Joan Crawford e então representando o que estava “sempre sob a superfície”.

Mostrar o que está por trás desses rostos é precisamente o que a série, que acaba de estrear no FOX Premium 1 (domingos, às 22h), pretende. Fãs e inimigos há muito tempo alimentam as fofocas sobre a inimizade entre Bette e Joan. Quando filmaram a cena da briga em Baby Jane, Bette realmente deu um pontapé na cabeça de Joan. E Joan usou pesos na cena em que Bette a arrasta para aumentar ainda mais a dor que ela sentia nas costas. Detalhes que podem nos lembrar efeitos sonoros de gatos rosnando. Feud é diferente.

Feud é uma antologia e sua segunda temporada será sobre Charles e Diana.

No seu primeiro episódio, Olivia de Havilland (Catherine Zeta-Jones) esclarece para seu entrevistador que “Feud nunca tem a ver com ódio, mas com sofrimento”. E as caracterizações de Bette Davis e Joan Crawford são comoventes. Na série, nós as encontramos quando já estavam nos seus 50 anos, alcoólatras cuja carreira se perdeu por causa da bebida.

O astuto patrão da Warner Bros, incentiva o diretor de Baby Jane, Robert Aldrich (Alfred Molina), a manipular Bette e Joan de modo a continuarem com suas brigas porque rumores de desavenças ou situações grotescas nas filmagens ajudavam a aumentar as bilheterias. 

A série também deixa claro que a Warner e congêneres são a principal razão da rivalidade entre Bette e Joan. Elas combatiam uma cultura que estabelecia que haveria ‘somente uma garota por vez’, o que geraria uma competição que os homens aproveitam em seu benefício, colocando uma atriz contra outra. “Isso diminui o poder que elas têm coletivamente”, advertiu Susan. “E isso continua ainda hoje. As Real Housewives de qualquer lugar – a história é sempre a de mulheres competindo entre si.”

O sucesso surpreendente de O Que Terá Acontecido a Baby Jane? deu início a um gênero totalmente diferente de horror, rotulado como Psycho-Biddy. São filmes que normalmente trazem uma mulher velha, louca, assassina e – enciumada. Bette Davis e Joan Crawford estrelaram vários desses filmes. 

Segundo Jessica, “existem três papéis para mulheres em Hollywood: o da ingênua, da mãe ou da Medusa. E foi o que elas conseguiram no final”.

Ryan Murphy afirmou ter criado o projeto com um sentido real de amor e respeito. Para ele, as duas atrizes foram incompreendidas e vítimas do seu tempo. Elas morreram sós, desvalorizadas e infelizes. Os tempos mudaram?

“A discriminação por idade continua muito grande em nossa cultura, prevalece sempre a ideia de que beleza equivale a juventude”, diz Jessica Lange. “Não sou contratada para um filme romântico com um homem 20 anos mais jovem. Mas ninguém pensa duas vezes em colocar um homem de 60 anos ao lado de uma jovem nos seus 30 anos. Isso tem muito a ver com o fato de que os homens estão no comando – e talvez eles tenham uma ideia inflada a seu próprio respeito.”

Para Jessica, a TV ocupou o vazio que o cinema criou para as mulheres. Alguns dos melhores trabalhos feitos por mulheres nos últimos cinco ou seis anos, estão na TV (Jessica conquistou dois prêmios Emmy trabalhando com Ryan Murphy em American Horror Story.

Susan Sarandon e Jessica Lange têm coisas em comum com Bette Davis e Joan Crawford. Ambas foram premiadas pela Academia já na terceira fase da sua carreira. E na verdade, ambas têm mais de 10 anos do que Bette e Joan tinham quando fizeram o filme em 1962. 

“Susan e Jessica deram a Bette e Joan o final feliz que elas deveriam ter tido. Elas entenderam que a maneira de vencer é vencer juntas”, concluiu o diretor Ryan Murphy. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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