Um Van Gogh além da imagem popular

Biografia do pintor pelo francês Maurice Pialat rejeita o estereótipo e consagra a imaginação

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S.Paulo

01 de agosto de 2009 | 23h35

O mais popular entre os pintores pós-impressionistas, Van Gogh não teve muita sorte na cinebiografia Sede de Viver, que Minelli dirigiu em 1956. Em contrapartida, a versão dirigida em 1991 pelo francês Maurice Pialat (1925-2003) oferece uma visão mais realista dos últimos anos do gênio. Ele é visto em Van Gogh (lançamento da Versátil Home Video) na pacata Auvers-sur-Oise, para onde se dirige em busca de tratamento com o doutor Gachet, seu médico, amigo e colecionador.

O Van Gogh de Pialat, interpretado por Jacques Dutronc num momento iluminado, não é explosivo como o de Kirk Douglas, mas um homem emocionalmente instável, cujo silêncio traduz mais dor que todas as cenas histéricas do filme de Minelli. Há, na obra de Pialat, sequências tocantes como a da resposta agressiva de Van Gogh à rejeição de seu amigo Gauguin, que culmina num beijo amargo. Ele é filmado com a ousadia costumeira de Pialat, herdeiro de Jean Renoir que jamais recuou diante de temas complexos (como o de Sob o Sol de Satã, baseado em Bernanos). Em Van Gogh, Pialat filma os últimos três meses de vida desse pintor angustiado e incompreendido, que se matou aos 37 anos, não suportando o peso da paranoia e depressão. É um filme denso. Mas inesquecível.

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