Um moço de época

Com uma galeria de tipos sedutores, Murilo Rosa diz que o termo galã caiu em desuso

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2008 | 22h16

Você faz uma pergunta para Murilo Rosa e é o gancho para ele sair em digressões que repassam, um a um, seus personagens na TV. Diverte-se contando as histórias de Martim (Xica da Silva, 1996), do tenente Aquiles (Mandacaru, 1997) ou do Dinho (América, 2005) como se o interlocutor não fosse noveleiro, como se já não o conhecesse da tela. Demonstra orgulho da trajetória e - sim, senhoras! - confirma a aura de "genro que toda sogra gostaria de ter", que transpassa as interpretações. Murilo recebeu o Estado entre as gravações de Desejo Proibido, que entra em reta final. Falou sobre sua carreira e sobre como costuma compor seus personagens, como o ex-padre Miguel, da delicada trama das 6.É seu primeiro protagonista na Globo. Sentiu o peso do posto?Não. Eu estava torcendo para ser protagonista da novela certa. Sou protagonista de uma novela redondinha, elogiada pela crítica- inclusive pelo Estadão. Ela tem humor, romance e polêmica na medida certa. Não queria ter feito outra, senão esta.Você tem emendado um papel no outro. Como conduz a carreira, deixa a vida levar?Não, não. Depois que fiz o Dinho em América, fui chamado para várias coisas aqui dentro (da Globo), mas não aceitei. Comecei na televisão fazendo novela com o Walter Avancini, a melhor referência. Apesar do furacão que é a minha vontade de trabalhar, acho que conduzi minha carreira com inteligência. Tenho uma visão menos comercial, talvez. Essa visão não foi abalada quando fez o aquele sucesso todo com o Dinho?Aí é que está. O Dinho foi minha primeira novela das oito. Eu já tinha feito vários papéis de época, e ficava pensando o que aconteceria quando fizesse um personagem mais contemporâneo. Deu tudo certo. Era também um personagem alegre, viril, romântico, com todos aqueles ingredientes que as mulheres sonham. Mas aquilo não mudou minha cabeça em nada.Você é conhecido por mergulhar nos papéis, aprender a montar touros, luta de espada e se internar em mosteiros se for preciso. O que guarda dessas experiências?Acho legal você se preparar antes, estudar o que pode, porque depois que a novela começa, você não tem tempo mais para nada na vida. É bom você se preparar, para não ficar no vazio de estudar os textos e só. Como você disse, fez muitos papéis de época. É coincidência?Acho que é. Mas eu sou filho de uma historiadora, vai ver foi ela que fez uma reza forte. Eu adoro, acho chiquérrimo. Eu tenho muita vontade de fazer uma coisa mais parecida comigo, alguém que chegue e diga "e aí, beleza?" E se sente um galã?Não, me sinto um ator. Não dá para você pensar numa carreira a longo prazo se achando galã. O Dinho era um personagem de humor, uma pessoa simples. As pessoas morriam de rir com ele, mas ele tinha virilidade. E foi visto como galã. Então, eu é que pergunto: o que é um galã? Será que é o cara que seduz? Não necessariamente o protagonista de um trabalho tem de ser "o galã". Acho que esse termo está meio por fora.

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