Um lugar ao sol para mutantes mirins

Finalmente, aconteceu. Caminhos do Coração, a novela de Tiago Santiago, caiu na boca do povo e já se fala dela nas rodinhas de conversa por aí. Talvez o teor das conversas não seja o que o autor gostaria de ouvir, mas que a novela é assunto, não se discute. Embora tenha uma trama romântica, com mocinha carismática e mocinho bonito, o que pegou mesmo na novela foram os mutantes. Quem é que não gosta do menino-lobo Vavá (Cássio Ramos) ou da esvoaçante Ângela (Julia Maggessi) e suas asas brancas?As crianças, especialmente, estão gostando muito da novela. Minha sobrinha, de 8 anos, não perde um capítulo (eu também acho que esse não é horário pra criança estar na frente da TV, mas não vou me meter na criação de filho alheio). Quando ela me falou que adorava os mutantes, passei a tentar entender o que há na trama da Record que possa agradar as pequenas criaturas. A chave do sucesso infantil talvez esteja nos bons efeitos especiais que fazem Vavá virar lobinho ou que criam os vampiros que se transformam em qualquer pessoa. São efeitos já comuns no cinema e que, agora, chegam à TV brasileira. Pouco importam as explicações pseudo-genéticas da cientista maluca Julia (Ítala Nandi) ou as tramóias golpistas da família Mayer pelo controle da Progênese. A gurizada quer mesmo é ver os mutantinhos.Talvez Santiago já estivesse de olho nesse público. Mas, se acertou o alvo, não foi com a arma que esperava. Um potencial atrativo para crianças seria o mundo do circo - mas não aquele circo, convenhamos. Se a trama da experimentação genética já soa forçada, o que dizer de um circo mambembe, cujo visual em tudo lembra o Cirque du Soleil e correlatos? O circo, tão presente no interior do Brasil e no imaginário coletivo das grandes cidades, acabou ficando tão falso quanto o sotaque paulistano de Batista (Taumaturgo Ferreira).Além da tribo de mutantes, também estão marcando presença a escolada dupla Cássio Scapin e Patrícia Travassos. Ao passar pelo dilema de ser lobisomem, Cássio tira da chatice o advogado César e suas intermináveis frases em vários idiomas. Já Patrícia, não sei se por estilo ou tédio, faz sempre as cenas de Irmã com um ar de quem não leva aquilo muito a sério. Talvez, ela esteja certa...

Mário Viana, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 23h46

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