Um homem bizarro e a sua obsessão

É o tema de O Cheiro do Ralo, em que Selton Mello faz o apaixonado pela bunda de uma garota

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2007 | 03h48

O título (O Cheiro do Ralo) não é convidativo, tampouco a história (um homem que despreza as pessoas e parece se interessar apenas por uma parte do corpo de uma garçonete de lanchonete). Mesmo assim, o filme dirigido por Heitor Dhalia foi elogiado pela crítica, teve boa recepção de público - ainda está em cartaz em São Paulo - e chega agora em DVD, pela Universal. Trata-se do segundo longa de Dhalia, que contou com a decisiva participação de Selton Mello. O ator não apenas lidera o elenco (sua atuação, aliás, como o mísero comprador de objetos usados é nada menos que antológica), como também participou como produtor na sociedade montada pelo diretor para viabilizar a filmagem. Inspirado na obra do cartunista Lourenço Mutarelli, O Cheiro do Ralo é a história da busca e todas as conseqüências que ela traz. Tudo isso permeado pela metáfora do ralo, que traduz o mal-estar. Afinal, quando a situação contraria sua vontade, o protagonista põe a culpa no cheiro do ralo que aparentemente só ele consegue sentir e só a ele incomoda. Um desfile de figuras exóticas mas totalmente críveis completa a estranheza do filme, certamente um dos melhores do ano.

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