Foto: João Cotta/ TV Globo
Foto: João Cotta/ TV Globo

Um grande começo para a novela 'Amor de Mãe'

Depois da popularesca 'A Dona do Pedaço', trama de Manuela Dias e José Luiz Villamarim une cinema com melodrama em sua primeira semana de exibição

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2019 | 10h30

Depois das baixarias que dominaram a trama de A Dona do Pedaço e que culminaram com a conversão da filha desnaturada de Juliana Paes (e o posterior assassinato de seu amante mau-caráter), a nova novela das 9 deve estar sendo um choque para o público. Manuela Dias e José Luiz Villamarim estão conseguindo. Já trabalharam juntos em Justiça e agora propõem uma dupla autoria. Ela escreve, ele dirige e ambos querem imprimir sua marca. A primeira semana já definiu a forma, e o conteúdo.

‘Zé’ Villamarim está gravando como cinema, com câmera de última geração. Seu parceiro nas séries, Walter Carvalho, é o diretor de fotografia – um luxo. O final do primeiro capítulo foi exemplar. Juliano Cazarré, que faz o filho de Regina Casé, desce do ônibus e vai caminhando para casa. A câmera o segue em plano contínuo, que pode ser frequente no cinema, mas é raro na TV, onde predomina o campo/contracampo, até como forma de segurar o estilo de interpretação naturalista. Juliano caminha, e pode até ser um virtuosismo técnico, mas no caminho cruza com as protagonistas e pintam como flashes, na tela, detalhes do que está por vir. Há um casamento perfeito entre a forma de Zé e Walter, e o texto de Manuela.

Por enquanto, desenhou-se o drama em três núcleos narrativos, acompanhando as personagens de Regina, Adriana Esteves e Taís Araújo. A mãe que não desiste de encontrar o filho que foi vendido pelo marido ainda no sertão e que ela busca na cidade grande – com Juliano. A outra mãe que pode estar morrendo por um aneurisma e não conta para o filho – Adriana. E a mais bem situada, socialmente, do trio – Taís. Essa sempre quis engravidar. Consegue com um estranho. Em entrevista ao Estado, Villamarim disse que queria fazer cinema na novela, e a Globo estava bancando o conceito. Vai continuar, claro que se houver resposta do público. Cinema, mas por se tratar de novela, o tal folhetim televisivo, de gênero. Melodrama. Três mulheres, três ideias de maternidade que, em algum momento, vão começar a cruzar-se.

Já surgiram nas redes sociais comparações com a estrutura narrativa de Lost, em que as coisas não eram necessariamente explicadas, exigindo certo esforço. Mas Lost era uma série, formato que Villamarim e Manuela dominam. Serão bem-sucedidos na novela?

A Dona do Pedaço foi um desapontamento de crítica. Popularesca, não popular. Estão agora no ar duas experiências distintas – e interessantes. Bom Sucesso tem um formato mais tradicional, mas as conversas de Antônio Fagundes e Grazi Massafera têm proposto a valorização/discussão dos clássicos literários. Amor de Mãe está sendo um luxo (estético), apesar da pobreza de muitos ambientes. Villa e Manu estão fazendo história. A expectativa é que continuem.

 

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